segunda-feira, 30 de abril de 2007

Mundo português

Nestes últimos anos, por qualquer razão, os políticos portugueses têm sido escolhidos para altos cargos a nível internacional. Só Mário Soares tornou-se, presidente da Comissão Independente Mundial para os Oceanos, presidente do Movimento Europeu, presidente do Comité para a Promoção de um Contracto Global para a Água e presidente do Comité dos Sábios do Conselho da Europa. Depois, e citando apenas os outros casos mais conhecidos, Freitas do Amaral foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Durão Barroso é presidente da Comissão Europeia, António Guterres Alto Comissário para os Refugiados das Nações Unidas e agora foi a vez de Jorge Sampaio ser apontado para também outro alto cargo nas Nações Unidas, responsável pelo diálogo entre culturas, dizem-nos, não sabemos se exageradamente, que é algo quase equivalente a subsecretário geral das Nações Unidas. Seja como for, com espanto nosso e, sejamos honestos, também uma pontinha de orgulho, os nossos políticos duramente criticados cá dentro, são desejados lá fora e o mundo é cada vez mais governado por portugueses.

domingo, 29 de abril de 2007

Profusions: a fazer hoje a música do amanhã!





















Ninguém tenha dúvidas, a música do futuro está a ser feita hoje, agora, um pouco por toda a parte e talvez mais perto de nós do que julgamos. Um bom exemplo é o grupo de rock progressivo Profusions, um caso sério a que devemos estar atentos. Depois do excelente CD Paradigma, a banda encontra-se em estúdio, a gravar o seu novo album “Trials to Deception”, que promete vir a ser ainda melhor.
Ver http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=65866868
Um grande abraço daqui para o André!

sábado, 28 de abril de 2007

A Curia é um mimo

Se há locais no nosso país merecedores de uma estadia, para quem deseja uns dias de descanso e de relax, a Curia é um deles. Eu sou daqueles que não aprecia muito a praia, gostando mais de uma fresca sombra de árvore. Além do mais, os hóteis da Curia são servidos por excelentes piscinas com boa água, para quem não abdica de um mergulho.
A Curia situa-se no coração da Bairrada, no concelho de Anadia, distrito de Aveiro. Os acessos são bons, pois a EN-1 passa mesmo ao lado e a autoestrada A-1 (saída da Mealhada) também está perto. Se preferir o comboio, a Curia tem estação de caminhos de ferro e é servida pela linha do norte.
O Hotel das Termas (agora fazendo parte da cadeia Best Western – uma garantia de boa relação qualidade/preço, tal como por exemplo o Cidadela em Cascais) é um excelente hotel, dentro do parque com um restaurante muito bom. O Hotel Palace é lindíssimo, estilo Arte Nova, com uma espectacular área de recepção única em Portugal. Só visto. São os hóteis que melhor conheço, embora já tenha ficado também no excelente Grande Hotel da Curia.
Depois há o leitão e os vinhos da Bairrada e do Dão ali ao pé, o Buçaco e Coimbra a dois passos, etc, etc. A Curia tem ainda uma pequena grande vantagem: ainda não está cheia de turismo e consegue mesmo no pico da época de férias ser um sítio relativamente sossegado e descansativo, limpo e cuidado. Parabéns à autarquia que capricha para ter tudo arranjado. O Parque está muito bom e notam-se melhorias ano a ano. O Hotel Palace está agora em obras de beneficiação. Espera-se que reabra ainda melhor e mais bonito.
A Curia é já um mimo. Ver http://www.turismo-curia.pt

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A pintura de Margarida Cepêda



















PRESCRUTANDO O REINO DO DRAGÃO

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O melhor bolo do mundo

Todos os portugueses com algum conhecimento do estrangeiro sabem que temos a melhor culinária do mundo. Não me refiro a pratos de carne ou de peixe, a doces ou a queijos, a vinhos ou enchidos. Refiro-me a tudo. Em qualquer tasca portuguesa come-se por vinxinxões o que não se consegue comer nos restaurantes das grandes metrópoles por pouco menos do que um roubo.

Vem isto a propósito dos Pastéis de Belém, provávelmente o melhor bolo do mundo (seguido de perto pelas tortas de Azeitão). Por esse planeta andam loucos com o bolo e querem copiar a receita! Chamam ao pastel de nata, tarte de ovo ou egg tart. Há notícia que todos os dias os aviões que saem do aeroporto de Lisboa levam Pastéis de Belém para todo o lado, nomeadamente Brasil e Timor Leste. É a internacionalização do pastel de nata.

A receita é um segredo muito bem guardado desde 1837, embora haja quem julgue ter cópias muito aproximadas - faz lembrar a fórmula da Coca-Cola.
Na Antiga Confeitaria dos Pastéis de Belém trabalham hoje 150 pessoas com uma média de vendas de 16 mil pastéis por dia. Queixamo-nos que não somos competitivos? Que não conseguimos enfrentar a economia global? Que tal aproveitar as coisas excelentes que somos capazes de fazer?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Sophia de Mello Breyner Andresen












25 de Abril
Sophia de Mello Breyner Andresen

Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

terça-feira, 24 de abril de 2007

Jorge de Sena












Carta A Meus Filhos Sobre Os Fuzilamentos De Goya

Jorge de Sena

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de urna classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de té-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém
está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.


segunda-feira, 23 de abril de 2007

O Mistério da Ota

A propósito de livros estrangeiros e da História de Portugal, não posso deixar de recordar um curioso episódio em que participou Carlos Ribeiro (1813-1882), um dos pais da arqueologia portuguesa, narrado no livro de Cremo e Thompson, Forbidden Archeology...

Durante as suas pesquisas, Carlos Ribeiro, para sua surpresa, descobriu objectos em pedra feitos pelo homem em estratos geológicos com vários milhões de anos, do Plioceno e do Mioceno (entre a Ota e o Cercal, em Espinhaço de Cão). Em 1872, no Congresso Internacional de Antropologia Pré-histórica e Arqueologia reunido em Bruxelas ele apresentou pela primeira vez ao mundo científico internacional as suas provas e conclusões. As opiniões não foram totalmente a seu favor e mais tarde em 1878, para a Exposição de Paris, o “nosso” Carlos Ribeiro levaria 95 objectos, destinados a provar a sua razão. Apesar de terem sido vários os arqueólogos que corroboraram esses achados, existiam ainda muitas dúvidas.

Em Portugal não existia tradição arqueológica e o nome de um português não era suficientemente conhecido e respeitado e por isso, quando em 1880 Lisboa foi a cidade escolhida para se realizar um novo Congresso Internacional de Antropologia Pré-histórica e Arqueologia, Carlos Ribeiro, a “jogar em casa” logo aproveitou para apresentar mais objectos tirados de extractos geológicos do Mioceno...

Estando em Lisboa, foi nomeada uma comissão de cientistas para inspeccionar o local de onde Carlos Ribeiro tinha recolhido aqueles objectos. Foram de comboio até ao Carregado e dirigiram-se para a Ota. Foi a cerca de 2Km, junto a Monte Redondo que por indicação de Carlos Ribeiro os membros da comissão se dispersaram para analisar o local. Alguns membros da comissão encontraram novos objectos de extractos geológicos do mioceno. No livro Le Préhistorique de Gabriel de Mortillet é descrita esta “excursão” à Ota que confirmou a razão de Carlos Ribeiro.

A interpretação de Carlos Ribeiro tem sido contestada mas ainda hoje, existem os vestígios dessas explorações (ver blogota.blogs.sapo.pt/2006/12/ ), e segundo Cremo e Thompson este achado continua a desafiar a cronologia habitualmente considerada como certa para o aparecimento deste tipo de objectos. Na realidade, a Ota encontra-se numa zona que desde há muito tempo desperta o interesse dos arqueólogos.

domingo, 22 de abril de 2007

A História de Portugal lá fora


É com curiosidade que muitas vezes descobrimos livros em línguas estrangeiras com temas relativos à História de Portugal e aos portugueses. Nalguns casos sentimos a falta de uma edição em língua portuguesa (mesmo assim, gostaria de saber que a nossa Biblioteca Nacional não está desatenta relativamente a estas edições de livros estrangeiros sobre as nossas coisas). Aqui vão 3 exemplos:

The First Global Village de Martin Page

Encontramo-lo com facilidade na maioria das boas livrarias desde o ano da sua edição, 2002. É da editorial Notícias apoiado pela Fundação Oriente e pela FLAD (Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento). É um livro muito elogioso para o carácter dos portugueses. Sendo de uma editora portuguesa porque é que nunca foi traduzido?

A History of Portuguese Overseas Expansion 1400-1668 de Malyn Newitt

Embora dedicado só ao período da expansão marítima mas chamando a atenção para o facto da odisseia dos portugueses estar espalhada por todos os continentes e ainda ser hoje relativamente mal conhecida.
Malyn Newitt é um professor inglês especialista em estudos portugueses, com vários livros publicados.

“Portuguese” Style and Luso-African Identity de Peter Mark

Este professor americano foi descobrir para seu próprio espanto, a influência decisiva do legado dos portugueses na cultura africana da Senegambia (do Senegal à Gâmbia). Por exemplo, uma das mais curiosas e inesperadas influências é ao nível da arquitectura.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

"Contraditório", um grande programa da Antena1.

Quando se discutem coisas pouco agradáveis para os governantes na imprensa diária e semanal, quando se fala em mudanças de administrações de empresas da comunicação social e em influências políticas junto dos jornalistas, torna-se importante valorizar os espaços de liberdade de discussão política de que dispomos.

Claro que para quem gosta de programas de discussão política e tem o cabo, a Sic Notícias é a televisão mais “politizada”. Além dos debates diários no Jornal das 9, tem o Expresso da Meia Noite e o decano dos programas de debate, a Quadratura do Círculo, herdeira do saudoso Flashback da TSF.

Em segundo lugar colocaria a RTP1: tem agora em segunda geração, o Debate da Nação e aposta principalmente nos comentadores políticos Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino e muitas vezes também, Judite de Sousa entrevista políticos, para já não falar no espaço de debate que é os Prós e Contras. É bastante bom para uma televisão pública generalista.

Claro que há outros programas, mas pouco os noto.

Ao nível da rádio, sobressai claramente o Contraditório: um grande programa de debate à 6ª feira na Antena 1, com Ana Sá Lopes, Carlos Magno, Luís Delgado e António Luís Marinho, depois do noticiário das 19 e o moderador do debate é actualmente Director de Informação da RTP.
Senhor Luis Marinho, veja se consegue convencer a gente na RTP para passar o programa também na TV! Nem que seja em diferido só para o Cabo! Não tenha complexos, o seu é de longe o melhor programa de debate político hoje. Parabéns a todos pelo programa 100.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Bulhão Pato - III




















Bulhão Pato retratado por Columbano
(Columbano, até 27 de Maio no Museu do Chiado)

Nunca Mais!...

Bulhão Pato (1829-1912)

Nunca mais! Quem tal diria?
Tu nunca mais hás-de amar.
Que fruto ou flor há-de dar
O tronco a que o fogo, um dia,
A folha e seiva abrasou,
Se a vida se lhe acabou?
Amar!...Nem sonhar, talvez!
Embora sejas mulher
Não hás-de tornar a ter-
Que se tem só uma vez-
A vida, a morte, a ventura
Daquela nossa loucura!

Lembras-te bem?
À hora do entardecer,
Começou a escurecer.
O norte agudo do monte
Vinha caindo às lufadas,
E nisto as ondas picadas
Já começando a espumar
E a recrescer empinando-se
Até que enfim sobre a costa,
Rugindo mais ao curvarem-se,
Na costa vinham quebrar!-
Que noite, que céu, que mar!

E nós nessa solidão!
Com que insolente ufania
A tua fronte se erguia!
Quando ao clarão dos relâmpagos
Se rasgava a escuridão,
Como em tua face eu via
A palidez da paixão!-
Porque o teu sangue agitado
Confluia ao coração,
Que batia alvoraçado,
Que no peito não cabia...
Nem com tanto amor podia!

Não podia; e nos meus braços,
Quebrada, desfalecida,
Te veio a aurora encontrar-
Serenada a tempestade,
Mudo o vento e quedo o mar!
Quem fundiu assim a vida
Num só beijo-quem amou
Com tal delírio e logrou
Num momento a eternidade...
Pensa e diz-me a verdade:
-Inda outra vez pode amar?!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Bulhão Pato - II

A propósito de Bulhão Pato, Alberto Bramão conta este episódio, que calculo se tenha passado em 1891 ou 1892, no seu livro Últimas Recordações de 1945:

Bulhão Pato teve, na Caparica onde vivia, uma doença grave, pneumonia ou pleuresia. O seu velho amigo, dr. Frederico Hopfer, convidou-o a ir convalescer na sua casa de Sintra.
O poeta aceitou o convite. Era Verão e eu estava também em Sintra. Uma tarde encontrei-o. Deu-me o braço, com o ar de expansão meridional, que amplificava o significado dos seus gestos e das suas palavras:
- Anda daí, meu rapaz.
E logo em tom confidencial e dramático:
- Vou-te contar a minha odisseia...
E contou-me:
- Sabes que estou em casa do dr. Hopfer. É um grande médico e um grande amigo...Mas já não posso mais...Estou até aqui...
E indicava o gorgomilo.
- É um homem de método rígido e em casa dele tudo obedece a uma disciplina de ferro. O almoço às tantas; o jantar às tantas; deitar às tantas. E tudo em ponto, sem um minuto de tolerância. Imagina isto para um homem como eu...
Cofiou a pera, deu ao rosto uma expressão concentrada e continuou:
- Sabes que gostei sempre do meu copito de vinho. Nunca gostei de abusar das bebidas, a não ser nos meus tempos de rapaz, que às vezes lá me deixava escorregar um pouco...O teu pai que o diga...Mas um copito faz-me muita falta...
E tornando a afagar a pera e levando-me para baixo duma árvore, em ar de segredo muito grave:
Queres saber o que ontem me aconteceu?...
Volteou a vista em torno, a certificar-se de que ninguém nos podia ouvir, e continuou em voz baixa:
- Em casa do Hopfer não entram bebidas alcoólicas. Ele detesta-as, chama-lhes venenos e só bebe água. Ontem, depois do jantar, não resisti; fui ali a uma loja e bebi um copito de genebra. O Hopfer parece que o percebeu pelo meu hálito. Encarou-me com ar grave, levantou-me as pálpebras dum olho e disse-me secamente: “Pato, se não tiveres muito juízo, morres”. Imagina tu a minha situação...Ele é um grande médico, com diagnósticos quase infalíveis...Mas eu é que já não posso mais...Estou até aqui!
E novamente indicava o gorgomilo.
Um ou dois dias depois, Bulhão Pato regressou a Caparica, por ser impossível, ao seu temperamento indisciplinado de meridional e de romantico, sujeitar-se ao método inflexível de vida a que pretendia submete-lo o seu bom amigo dr. Hopfer.
E a verdade é que ainda viveu mais de vinte anos, sem precisar de se abster da linfa, que Anacreonte julgou digna das suas odes [...]
A última vez que o encontrei [...] tinha oitenta e três anos [...] Quando vinha a Lisboa, nos princípios dos meses, jantava invariavelmente no restaurante Estrela de Ouro, da Rua da Prata, onde havia sempre indicado na lista um prato que teve fama: Ameijoas à Bulhão Pato [...] Por achar curioso o menu dum jantar de homem de letras aos oitenta e tres anos, como atestado dum estomago tão forte como a sua alma, direi que constou do seguinte: um grande prato de sopa de camarão, um prato de arroz com ameijoas e outro de peixe guisado; queijo, fruta e uma garrafa inteirinha de vinho de Torres.
O dr. Hopfer, se ali estivesse, reconheceria que o seu prognóstico de vinte anos antes tinha falhado, e esse reconhecimento, se por um lado o considerasse lesivo da sua infalibilidade científica, por outro daria um grande prazer ao seu coração de verdadeiro amigo.

domingo, 15 de abril de 2007

Bulhão Pato - I

É quase impossível pensarmos em Bulhão Pato sem pensar nas suas receitas e muito especialmente nas popularíssimas ameijoas. Talvez ele as tivesse imaginado de outro modo mas há muitas variantes da receita. Há quem use banha, quem misture vinho branco, limão ou vinagre, quem ponha salsa ou quem carregue ainda mais no sal durante a preparação, apesar da água de demolhar as ameijoas já ser carregada de sal. Eu faço-o deste modo, que é como gosto mais.

Ameijoas à Bulhão Pato (à minha maneira)

As coisas que leva (2-3 doses):

Meio quilo de ameijoas
2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sobremesa de massa de alho (ou 4 dentes de alho)
1 molhinho de coentros picados e pimenta qb
sal para a água de demolhar
1 limão (para tempero na mesa)

Como fazer:

Demolhar as ameijoas em água com muito sal, para largarem a areia durante cerca de 30 minutos. Escorrer, e repetir igual processo pelo menos 2 vezes mais.

Se for ameijoa congelada já limpa, basta efectuar o processo uma única vez: a ameijoa descongela nessa meia-hora e vai ganhar a água com sal que é necessário que ganhe, para o cozinhado.

Levar ao lume o azeite e os alhos, ou a massa de alho e juntar os coentros picados. Polvilhe com um pouco de pimenta e mexa tudo. Quando começar a ferver junte as ameijoas. Retire-as da água para a panela com uma escumadeira.

Mexer de vez em quando (cada 2-3 minutos) para não agarrar (eu costumo mexer levantando a panela pelas asas e abanando a panela sem lhe tirar a tampa). Mantenha a panela sempre tapada. O lume deve ser médio ou brando. Passado 10 minutos o preparado já estará concluído. Quando abrir a panela verificará que as ameijoas estarão abertas e cozidas no refogado.

Vase o conteúdo da panela para uma travessa. Use o limão cortado em quartos para enfeitar e acompanhar as ameijoas (para cada um temperar o seu prato a seu gosto).

sábado, 14 de abril de 2007

Vinhos tintos Casa Ferreirinha: jóias do Douro.

Desde o comum Esteva ao super prestigiado Barca Velha, nunca nos desiludem. Na gama de preços médios o Vinha Grande por exemplo, é um dos meus preferidos..
A lista dos tintos Ferreirinha que conheço é a seguinte: Esteva, Vinha Grande, Callabriga, Quinta da Leda, Casa Ferreirinha e Barca Velha.
Ver:www.sogrape.pt/marcas/4/gama

No sítio da Sogrape podemos encontrar ainda uma curiosidade: uma “Roda dos Aromas”, desde os aromas e sabores mais genéricos aos mais específicos. É uma ferramenta de apoio para a prova de um vinho e também para aqueles que têm curiosidade em cruzar as suas sensações com as principais características que a equipa de enologia da Sogrape identifica nos vinhos que produz.
Ver:www.sogrape.pt/aromas .

Vamos bebendo estes néctares enquanto pudermos, porque quando os mercados estrangeiros perceberem que temos em Portugal estes vinhos, vão querer tudo para eles...


quinta-feira, 12 de abril de 2007

Portugal e os 50 anos da Fundação Gulbenkian

É uma gigantesca, uma incomensurável dívida de gratidão.

Não sei, desconheço se existe algum estudo que faça um balanço global da importância da Fundação Calouste Gulbenkian nos mais variados domínios onde tem intervido na Sociedade Portuguesa. Dizia-se que a Fundação valia para Portugal um Ministério da Ciência e um Ministério da Cultura juntos.

Aquele espectacular arménio tinha deixado 5% do petróleo do Médio Oriente a Portugal. O que tinhamos feito para merecer essa preferência? A própria Fundação adianta uma explicação:
"Em Abril de 1942, em plena II Guerra Mundial, Calouste Gulbenkian entrou em Portugal pela primeira vez, a convite do embaixador de Portugal em França. Chega a Lisboa projectando seguir viagem para Nova Iorque. Adoece. Fica reconhecido ao médico - o professor Fernando da Fonseca - que o trata. Demora-se mais tempo do que planeara. Sente-se bem acolhido - escreverá, depois, "que nunca havia sentido em mais lado nenhum" uma hospitalidade como a que o rodeou em Lisboa, uma cidade tranquila numa Europa devastada pela guerra. Conhece José de Azeredo Perdigão, que, pela sua competência, carácter e conhecimentos, ganha rapidamente a sua confiança e a sua estima. Calouste Sarkis Gulbenkian vai ficando… e acaba por se instalar em definitivo. O Hotel Aviz, em Lisboa, foi a sua casa durante 13 anos. Morre em Lisboa, a 20 de Julho de 1955, com 86 anos".
Foi a sorte grande que saíu a Portugal e devemos também muito a Azeredo Perdigão, o criador da obra.

A FCG continua desde o seu início até hoje, a apoiar ainda em vários domínios a comunidade arménia, pois claro. Bem haja também por isso e bem haja por tudo e oxalá continue pelo menos assim mais 50 anos e mais 50 e mais 50 e mais 50...

Ver www.gulbenkian.pt

quarta-feira, 11 de abril de 2007

"Choco Telegram": uma grande ideia dos CTT























É verdade que após o fax e o correio electrónico, o telegrama foi ultrapassado , mas agora eles são em chocolate, o que permite enviar lindas e saborosas mensagens. Num tempo em que todos falamos em inovação, criatividade e originalidade os CTT fizeram isso mesmo com este e outros produtos. Vale a pena ir ao site dos nossos CTT http://www.ctt.pt/ . É fácil de enviar, pois basta usar a internet e o multibanco. Continuamos a ter um dos melhores serviços postais do mundo.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

A fotografia de Dias dos Reis






















CIDADE DE AVEIRO,
VENEZA DE PORTUGAL

domingo, 8 de abril de 2007

Lição do Mestre Rómulo de Carvalho




















(Em http://bnd.bn.pt/ da biblioteca nacional)

sábado, 7 de abril de 2007

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sopa de Coentros (Açorda Alentejana)

As coisas que leva (para 4 pessoas):
- 1 molho de coentros
- 4 dentes de alho
- 1 colher de sobremesa de sal grosso
- 4 colheres de sopa com azeite
- 1,5 litro de água a ferver
- 400 grs de pão caseiro (duro)
- 4 ovos

Como se faz:
Pisam-se num almofariz, reduzindo-os a papa, os coentros e os dentes de alho cortados e o sal grosso. Deita-se esta papa numa terrina e rega-se com o azeite. Introduz-se então na terrina o pão, cortado em cubos com uma faca e escalda-se tudo com a água a ferver, onde previamente se escalfaram os ovos (de onde se retiraram). Depois, tapa-se a terrina por forma a permitir que o pão amoleça. Colocam-se os ovos sobre a sopa, na terrina, imediatamente antes de pôr na mesa.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A Força da Música Portuguesa

A lei da rádio em Portugal afirma, quanto à difusão da música portuguesa que:
“A programação musical dos serviços de programas de radiodifusão sonora é obrigatoriamente preenchida, em quota mínima variável entre 25% e 40%, com música portuguesa”.
Tudo indica que cabe à Entidade Reguladora para a Comunicação Social fiscalizar o cumprimento da lei. Os não cumpridores arriscam multas entre os três mil e os 50 mil euros. Só que como muitas outras leis, parece que ninguém realmente fiscaliza nada e as leis acabam por ficar esquecidas numa qualquer gaveta, por isso continuamos a não ouvir nas nossas rádios os artistas preferidos pelo público.

Felizmente, contra todas as lógicas, a música portuguesa vai bem. No top nacional desta semana, mais uma vez os primeiros cinco lugares eram todos ocupados por portugueses ( incluindo a nossa fantástica Nelinha Furtado ).

Nelly Furtado, não é uma artista qualquer: é provável que seja já hoje o artista a falar a língua de Camões com maior número de discos vendidos, e ainda está no início de carreira com apenas 3 albums publicados. É um incrível fenómeno de popularidade no lado de lá do Atlântico e em todo o mundo. Uma menina de ouro que começou a tocar em pequena em bandas locais de música portuguesa. Nelly Furtado continua hoje a apoiar a música portuguesa: vai agora dar a cara pelo projecto LusaVox, um concurso «on-line» de música. Trata-se de uma iniciativa da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, do portal Sapo, da editora Valentim de Carvalho e da RTP.

Os Blasted Mechanism são um dos grupos portugueses mais originais. O album possibilita um download de um segundo CD através da Internet. Após o seu lançamento, Sound in Light entrou logo nos primeiros lugares no top.

Andre Sardet tem 7 discos de platina para o seu album “Acústico” e Tony Carreira 5 discos de platina para “A Vida Que Eu Escolhi”. São 2 imensos fenómenos de popularidade em Portugal. Artistas com este nível de sucesso merecem passar nas rádios e televisões “no prime time”. José Afonso é um histórico. Génio da música portuguesa, não há qualificativos suficientes para elogiar a sua arte.

Lá fora, no circuito da World Music, artistas como Mariza e mais recentemente Sara Tavares são enormemente apreciadas.

Imaginem o que seria se a lei fosse cumprida. Valores não nos faltam e nós estamos a apoiá-los comprando os seus discos e DVDs, agora gostariamos que as rádios e as televisões os apoiassem também...

Ao gabinete da nossa Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, em gmc@mc.gov.pt (também serve infocultura@min-cultura.pt) enviei o seguinte texto:



Cara Senhora Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima,

Eu, como muitos dos nossos concidadãos gostaríamos de ouvir mais música portuguesa na nossa rádio, por isso pedimos-lhe para que os necessários esforços sejam desenvolvidos no sentido de ser respeitada a quota da música portuguesa de acordo com a actual lei da rádio.

Acreditamos que o cumprimento dessa quota, constituirá um importante estímulo e apoio para a música portuguesa e para os nossos artistas. Uma mais valia para a nossa cultura.

Com os meus melhores e respeitosos cumprimentos, um cidadão identificado,

(Nome e número do BI)


Penso que não nos custará muito fazermos todos o mesmo, independentemente dos gostos musicais de cada um, enviando este mail para o MC, na esperança de uma alteração do presente estado de coisas e apoiando também assim a nossa (grande) música.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Heróis do Futebol

Os líderes do campeonato jogaram este fim-de-semana um contra o outro (SLB-FCP). Os jogadores de futebol em Portugal são uma espécie de heróis. São melhores atletas que pessoas porque são uns miúdos, mas são atletas gigantes. Não têm só que ver com os meios postos à sua disposição. É a dádiva deles ao jogo, como o Carlos Lopes no atletismo. E a gente pasma.

Aqui há uns anos, pensámos que seria muito difícil ou quase impossível substituir a geração de ouro de Carlos Queiroz, que tinha Figo e Rui Costa entre outros. Depois veio a gente do Porto de Mourinho, que muito ajudou. Pessoas como Ricardo Carvalho ou Deco. Scolari aproveitou-se dessa vaga.


Tinha havido o mundial de 66, mas isso tinha sido há muito tempo e não havia mais Eusébios. Entre 66 e Carlos Queirós tinha sido quase o deserto, com excepção da Selecção de Chalana em França. Seria possível renovar agora a Selecção?

Scolari (obrigado por tudo Filipão!) mostrou-nos a nova geração no jogo contra a Bélgica. Os mais novos estão a surgir principalmente da escola do Sporting: numa primeira fase Simão e Quaresma e depois Pedro Moutinho e Nani. Oxalá mantenham sempre a cabeça fria e sigam em frente. Temos selecção.
É verdade, esqueci-me de mencionar Cristiano Ronaldo.

Já não há razão para dúvidas. Somos muito bons neste jogo que é o jogo-rei. E é melhor ser bom do que ser mau. Ou alguém prefere ser mau? Pensem apenas na divulgação do nome de Portugal, nas oportunidades para o turismo e para os nossos produtos ( por exemplo, a Nike associou com muito sucesso a selecção brasileira á sua marca). É um valor acrescentado para o país.

domingo, 1 de abril de 2007

Novas energias

Na passada semana, a 23 de Março, Pedro Marques Pereira, subdirector do Diário Económico, sob o título “uma verdade conveniente”, salientava a excelência do sector das energias renováveis em Portugal, afirmando mesmo que "no Portugal anémico e derrotista que nos habituámos a ver nos últimos anos, há um sector que destoa [o das energias renováveis]". Os exemplos eram vários: eólicas, hídricas, biomassa, solar, ondas e micro-geração. Em todos estes sectores com projectos muito interessantes.
Não sendo especialista na área, tenho lido que o grande obstáculo até aqui tem sido o custo da produção: visto serem tecnologias recentes, o custo do KW é ainda muito elevado. A este respeito, sigo com alguma atenção aquilo que se está a passar com a Nanosolar (www.nanosolar.com) que promete electricidade fotovoltaiva a preços muito mais baixos que os actuais. Parece lógico que no futuro, seja a luz solar a nossa principal fonte de energia. Para já, estamos na linha da frente a nível mundial, o que é excelente!