quinta-feira, 31 de maio de 2007

Caramulo: a "montanha mágica" portuguesa.

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Eram 2 irmãos, filhos de um certo Dr.Lacerda, proprietário do antigo Sanatório do Caramulo, fundado nos anos 20 e um dos maiores do país. Um dos irmãos gostava de carros e o outro de arte e decidem fazer o Museu do Caramulo. Para mim e para muitos portugueses, os Lacerda são quase uma lenda.
O Caramulo faz lembrar a Montanha Mágica de Thomas Mann, um romance extraordinário passado num sanatório de montanha. Dizem que é o melhor romance do século XX.
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A vila do Caramulo fica no concelho de Tondela, distrito de Viseu. É necessário ter vontade de chegar lá, mas vale a pena.
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Localização da Vila do Caramulo de acordo com o sítio do Hotel do Caramulo
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1- O Museu do Caramulo

O Museu é imperdível para quem visita a Vila do Caramulo. Não é como ir a Roma e não ver o Papa. É pior. O Museu “é” a Vila.
Arte: não é um museu de arte extenso, como por exemplo o fabuloso museu da Gulbenkian, mas os critérios de selecção das peças são igualmente diversificados; em termos de qualidade é na minha opinião, superior por exemplo, ao excelente Museu do Chiado, o museu nacional de arte moderna.
Automóveis: não existe nada de parecido em Portugal; é um local onde conseguimos ter uma panorâmica detalhada da história dos automóveis; para se acreditar, só visto.
É difícil dizer qual a melhor área do museu, se Arte, se Automóveis. São ambas muito boas. Ouço dizer que o museu tem estado a constituir uma terceira colecção de brinquedos antigos. Ainda não a vi, mas dada a qualidade das outras duas colecções, espero que possa um dia vir a estar ao mesmo nível.
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2- Hotelaria
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O Hotel do Caramulo é um grande hotel. Os quartos espaçosos têm uma vista fabulosa da serra, cozinha excelente, spa, etc. É um quatro estrelas, mas se tivesse cinco ninguém estranharia. Fica mesmo em frente ao museu.
Quem aprecia locais de hospedagem mais pequenos, a Estalagem.do.Caramulo.(ver.em http://www.estalagensdeportugal.com/.) é a melhor opção, podendo-se beneficiar também do spa do Hotel do Caramulo.
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3- A Vila do Caramulo

Deixo á imaginação de cada um. Direi apenas que não faltam bons ares, boas vistas, boas águas, boas comidas e bons locais de passeio, mesmo a pé ou de bicicleta.
Quem não vai pelo menos uma vez na vida ao Caramulo e não fica lá a dormir pelo menos 2 noites e não visita o Museu do Caramulo, perde uma das melhores experiências que o nosso país tem para oferecer.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A fotografia de Carlos Dias













Foto gentilmente cedida por Carlos Dias
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Carlos Dias é actualmente designer gráfico. Em 2000-2001 produziu conjuntamente com dois fotógrafos a primeira edição do Calendário Português da Natureza, onde publicou duas imagens: Outubro e Dezembro. Tem publicado imagens na revista CAIS e na National Geographic Portugal. Temas preferidos: Natureza e Viagens. O seu sítio, http://carlosdias.net/ pretende ser uma galeria com algumas das suas melhores fotografias. Para mais informações sobre Carlos Dias, ver http://carlosdias.net/foto/autor.html


terça-feira, 29 de maio de 2007

Factores Críticos de Sucesso, Reformulação Democrática e IVRepública

Vou continuar neste blog a juntar os pedaços das coisas boas de “cá dentro” e “cá de dentro”, do nosso Portugal, sem chauvinismos idiotas, apenas porque só se progride criando, apoiando e incentivando as coisas boas, aquilo que os gestores chamam os Factores Críticos de Sucesso.

Factores Críticos de Sucesso ?
Ao contrário do que se possa pensar, não faltam coisas notáveis no nosso pequenino rectângulo. Só para falar da actualidade destes últimos dias, temos 2 grandes exemplos:
1- O discurso de António Câmara ao receber o Prémio Pessoa, publicado na íntegra pelo jornal Expresso e que revela estratégia e visão raras para Portugal.
2- As 20 ideias de empreendedorismo de base tecnológica apresentadas na Universidade de Aveiro. Grande pólo universitário aquele!

O nosso entendimento é que é um disparate gastarmos demasiadas energias com os factores de atraso, fontes de problemas e de frustração e que precisamos antes de aproveitar melhor as nossas forças e oportunidades.

Reformulação da Democracia ?
Se ficarmos presos ao atraso e centrados apenas sobre negativismos, então quem ficará em causa serão os líderes e os partidos, ultrapassados, derrotistas e incapazes de mobilizar para projectos geradores de valor e de progresso e mais cedo ou mais tarde teremos a necessidade de discutir o nosso actual regime político e viabilizar novas soluções.

IV República (nova república democrática à francesa) ?
Não será nunca a democracia a estar em causa, mas “esta” democracia, sobretudo a maneira como nos relacionamos com os partidos, como os elegemos, como eles se relacionam entre si e como nos governam.

Muito provavelmente o regime precisará de mais democracia e não de menos, como se referia ontem em editorial do jornal “Público”, o mesmo jornal que curiosamente referia muitos outros temas estruturantes como o “monopólio dos partidos” por Sarsfield Cabral ou“a regionalização por cumprir” por José António Ferreira e a entrevista de Helena Roseta com títulos como “os partidos estão antiquados” e “acabam assessorias políticas”. Tudo isto num só dia e num só jornal e apenas algumas peças soltas de um delicado puzzle que somos nós.
O desemprego é um caso tristemente exemplar, porque nenhum político teve até agora a honestidade de falar a verdade sobre o "desemprego de longa duração" em Portugal. Vão-se continuar a deixar as famílias cairem na miséria ? A CGTP convocou para amanhã uma "greve geral". É deitar disparates sobre disparates.

Para já e sem mais opiniões, continuarei apenas a destacar as coisas boas da nossa terra. São as coisas mais importantes que temos e temos de as potenciar.

sábado, 26 de maio de 2007

Bacalhau à Moda da Minha Mulher





Receita para 4 pessoas

Ingredientes:

4 postas de bacalhau médio já demolhadas
6 batatas médias
3 cebolas
azeite q.b.
400 ml de molho branco de leite - béchamel (eu uso "Parmalat", tem código 560)
pão ralado q.b.
1 pacote de queijo ralado (eu uso tipo "padano")


Modo de preparação:
(Antes de começar a preparar, leia a receita por completo)

1. Depois de cozedura (ferver durante 20 minutos), tiram-se todas as espinhas e peles ao bacalhau. É preciso cuidado e paciência. É o que demora mais tempo a fazer, mas no fim vale a pena.
2. Cortam-se as cebolas às rodelas e cada rodela ao meio e põem-se a alourar apenas com o azeite necessário num tacho que não pegue ao fundo.
3. Quando estiverem a começar a alourar juntar o bacalhau, misturar bem, e deixar em lume muito brando com o tacho tapado durante 5 minutos.
4. Entretanto, as batatas já devem ter sido descascadas, cortadas em palitos e fritas (Podem ser batatas em palitos pré-congeladas - eu uso "Iglo" pois tem código 560).
5. Juntar a batata em palitos ao bacalhau no tacho, mexendo bem ao lume. Não se preocupe se o conjunto ficar um pouco amassado. Não estamos a fazer um bacalhau à Braz.
6. Quando o conjunto estiver bem misturado, vase-o para um tacho de barro para ir ao forno. Não use travessas de ir ao forno. Convém que seja um tacho porque é mais fundo. Depois de vazar, acame um pouco, apenas ligeitamente na superfície.
7. Depois, tape toda a superfície com o molho branco, sem misturar, e deixe-o ficar assim.
8. Também sem mexer, polvilhe a superfície com um pouco de pão ralado.
9. E ainda sem mexer, despeje com cuidado o queijo ralado de forma a cobrir toda superfície do tacho.
10. Leve o ao forno médio durante 15 minutos.
11. Nos últimos 5 minutos (dos 10 aos 15 minutos) deve ligar o grelhador eléctrico do forno para gratinar por cima.
12. Sirva à mesa com o tacho.

PS- Eu gosto do tacho em barro porque o bacalhau fica com ar mais rústico e os olhos também comem. Esta receita é a única que conheço no forno, que não leva alho, nem pimenta, mas apenas cebola. Fica uma delícia, mesmo com bacalhau de menos qualidade, como o chamado "bacalhau do Pacífico".

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Portal da Rádio: de Portugal para o mundo via net.



Já temos em http://www.radios.pt via internet, um portal que nos põe em contacto com cerca de 200 rádios do Continente e Ilhas, acessíveis em qualquer parte do mundo!

Trata-se do ROLI - Rádios Online na Internet. Co-financiado pela União Europeia (FEDER) e pelo Estado português, no âmbito do POS_Conhecimento – Programa Operacional Sociedade do Conhecimento, o Projecto ROLI, promovido pela APR - Associação Portuguesa de Radiodifusão, tem como principal objectivo a colocação das emissões da grande maioria das rádios portuguesas na Internet.


Uma excelente rádio que vale a pena ouvir é por exemplo a Rádio Altitude da Guarda (http://www.altitude.fm). É a rádio local mais antiga de Portugal (iniciou emissões regulares em 29 de Julho de 1949 na cidade da Guarda) e tem uma qualidade invejável, mesmo quando comparada com uma rádio nacional de Lisboa ou do Porto.


terça-feira, 22 de maio de 2007

Antero de Quental (1842 – 1891)















Á VIRGEM SANTÍSSIMA
(Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia)

Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

Sonetos, 1881.

domingo, 20 de maio de 2007

A pintura surrealista de António Pedro (1909-1966)

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Rapto na Paisagem Povoada (1947)

Sobre António Pedro, ver Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão da Gulbenkian em.http://www.camjap.gulbenkian.pt

sábado, 19 de maio de 2007

A porcelana da Vista Alegre




















A colecção de peças disponíveis na Vista Alegre, uma verdadeira Fábrica da Arte, com letra grande, é fabulosa.

Consulte-se no sítio http://www.vistaalegre.pt/ (está excelente), por exemplo, o catálogo Gift 2006-2007 em http://www.vistaalegre.pt/pdf/VistaAlegre_Gift%2006_classico1.pdf

Não é por acaso que aquilo que sai das suas fábricas é apreciado no mundo inteiro: cada peça é um encanto. A própria Vista Alegre afirma “ (...) possuir uma das melhores e mais bem equipadas fábricas de porcelana de todo o mundo (...) ”.

















O fundador da Vista Alegre:
José Ferreira Pinto Basto




As instalações da Vista Alegre em Ìlhavo, próximo de Aveiro, além da fábrica incluem um Museu (aberto de terça a sexta-feira das 9.00 h às 18.00 h, sábado e domingo das 9.00 h às 12.30 h e das 14.00 h às 17.00 h) cuja visita é obrigatória. O alvará da fábrica da Vista Alegre é de 1824 e por isso tem uma história longa para contar. Já não falta muito para fazer 200 anos.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

O Cão da Serra da Estrela



















A APCSE, Associação Portuguesa do Cão Serra da Estrela irá realizar nas Penhas da Saúde, a 26-27 de Maio, a XVII Exposição Monográfica do Cão Serra da Estrela.

"(...) a independência, que os animais desta raça gostam de ter, enraíza na forma como os seus antepassados faziam a guarda do gado. Eles procuravam, por sua iniciativa, sítios altos onde tentavam captar as feromonas (mensageiros químicos odoríferos transportados pelo ar) dos lobos. Se estes fossem detectados nas imediações, logo os cães tentavam proteger os rebanhos, mas de uma forma a não permitir que os carnívoros deles se aproximassem. Para esta forma de actuação, eles necessitavam de liberdade de acção, não podiam estar a cumprir estritas ordens do pastor(...)"
Ver em http://www.apcse.com.pt/
















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Logos das Associações Americana e Sueca do Cão Serra da Estrela. Há muitas associações nacionais da raça por esse mundo fora. É uma raça reconhecida pela FCI - Federação Cinológica [Canina] Internacional. Ver em http://www.fci.be/

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Rancho Tá-Mar da Nazaré a dançar desde 1934

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Ou ver também em http://www.youtube.com/watch?v=GZrsWkBVN0M

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O Rancho Folclórico “Tá-Mar” e a Câmara Municipal da Nazaré promovem no próximo dia 27 de Maio, o XII Festival de Folclore Infantil:
"Passar para os mais novos o testemunho do passado e o gosto pela preservação da cultura popular das gerações ancestrais, é o principal objectivo deste Festival de Folclore Infantil, que conta com a colaboração da Junta de Freguesia da Nazaré."
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Em http://www.cm-nazare.pt/

terça-feira, 15 de maio de 2007

Os Contos de Fajão

Os contos populares de Fajão são dos contos tradicionais mais engraçados que temos em Portugal. Fajão fica no concelho de Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra. Geralmente há um conjunto de personagens da terra que são os protagonistas dos contos, mas o principal protagonista é quase sempre o Juiz.
Não sei se ainda existe disponível o livro original com estes contos brejeiros, recolhidos por Monsenhor Nunes Pereira e editado em 1989 pelo Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra, mas pelo menos alguns textos encontram-se disponíveis com as ilustrações originais em
http://pontefajao.no.sapo.pt/contos/contos.htm.

Com a devida vénia transcrevemos o pequeno conto “A VISITA DO BISPO”
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A certa altura Fajão foi promovido com um novo cura, e logo nesse ano o Senhor Bispo anunciou a sua visita pastoral.
Foi numa tarde amena que o dito cura se encontrou com o Juiz em passeio, e logo o cura disse para o Juiz: Olhe, qualquer dia vem aí o Senhor Bispo, em visita pastoral, e o que é certo é que eu não estou ainda lá muito bem habilitado para orientar as coisas.
E logo o Juiz disse: Ó Senhor prior, não se preocupe. Se quiser, dê-me as suas ordens, que eu trato disso tudo e resolvo-lhe os problemas todos.
Está bem, eu agradeço; trate-me lá disso tudo, para a freguesia não ficar mal. Assim foi. O Juiz preparou tudo, e no dia da visita lá foram todos para a serra esperar o Senhor Bispo, e está claro que à frente ia o Juiz, para ser o primeiro a cumprimentá-lo. O Juiz aproximou-se, tirou o barrete e cumprimentou: «Então , Senhor Bispo, passou bem? Fez boa viagem? E como está a Senhora Bispa, e os bispinhos todos, estão bons?»
O Senhor Bispo não se desmanchou, e respondeu:- Bem; está tudo bem, muito obrigado.

Depois foram todos em procissão por ali abaixo. Perto da igreja, o Senhor Bispo paramentou-se e lá foram seguindo. Ao chegar o cortejo à igreja, o Senhor Bispo, que era muito alto, e ainda com a mitra em cima, estava a ver que não podia entrar. Então o Senhor Juiz chegou-se ao pé do Senhor Bispo e disse-lhe ao ouvido: «Senhor Bispo, faz favor de baixar a cornadura, se não bate lá em cima!»Bem. Pois o Senhor Bispo baixou a cabeça e entrou.
Na igreja as cerimónias decorreram como de costume. Depois foi a parte exterior, as cerimónias civis. Dirigiram-se aos Paços do Concelho. No cimo da escadaria o Senhor Bispo tropeçou e rolou pelas escadas abaixo. Ora o Juiz tinha dito ao povo para fazerem o que o Senhor Bispo fizesse; então, julgando que aquilo também fazia parte das cerimónias, puseram-se todos a rebolar pelas escadas abaixo.
Depois daquele percalço entraram todos nos Paços do Concelho, para uma recepção e almoço. Tudo normal, como é uso nestas visitas. Mas a certa altura o Juiz, que não tinha esquecido nada para preparar uma recepção condigna, e por isso tinha preparado uma ca(ga)deirazita; como o Senhor Bispo não tinha pedido nada, lembrou-se de que ele devia precisar. Sim, porque todos nós sabemos o que são necessidades. Então chegou-se ao pé do Senhor Bispo e disse-lhe ao ouvido: Olhe lá, Senhor Bispo, talvez precise de cag...
- Não será pior, não! – respondeu ele. (Contam outros pormenores que para o caso não adiantam).
O que é certo é que o Senhor Bispo veio muito bem impressionado com a visita pastoral a Fajão.

Fajão é também uma terra encantadora, merecedora de uma visita e estadia. Ver por exemplo
http://www.geocities.com/pontefajao/frank.html

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segunda-feira, 14 de maio de 2007

Palavras de Porutogaru e do Japão

Quando o destino dos povos se cruza há multiplas influências de um lado e do outro a vários níveis. Exceptuando os EUA depois da guerra, Portugal foi talvez o país do Ocidente que maior importância teve na História do Japão. É curioso verificar algumas das muitas palavras portuguesas deixadas no Japão e algumas das japonesas que entraram no vocabulário português.

Do português para o japonês:

Hospital-Osuhitari
Tabaco-Tabako
Obrigado-Arigato
Sabão-Shabon
Terebintina-Terebinteina
Órgão-Orugan
Original-Orijinaru
Carta-Karuta
Canal-Kanarü
Jarra-Joro
Balanço-Buranko
Varanda-Beranda
Cetim-Shuchim
Calção-Karusan
Capa-Kappa
Botão-Botan
Salada-Sarada
Pão-Pan
Marmelo-Marumero
Cacau-Kokoa
Café-Kahii
Biscoito-Bisukouto
Capitão-Kapitan
Portugal-Porutogaru
Europa-Yöroppa
Medalha-Medai
Irmão-Iruman

Do japonês para o português:

Tchá-Chá
Byöbu-Biombo
Shunga-chunga
Catana-Katana
Tchawan-Chávena

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Para quem se interessar pela cultura japonesa poderemos ler o incontornável Wenceslau de Moraes e o seu livro “A vida japonesa” de 1907, para a análise dos costumes, e para uma visão mais compreensiva da História do Japão, “O impacte português sobre a civilização japonesa”, de Armando Martins Janeira, 1970, da D. Quixote.

sábado, 12 de maio de 2007

Fátima: Cap. 3 - O Anjo de Portugal

Vou socorrer-me de um texto de um brasileiro, Plínio Correia de Oliveira (São Paulo, 13 de dezembro de 1908 — 3 de outubro de 1995). Segundo a Wikipédia foi um influente político e historiador brasileiro, fundador da organização Tradição, Família e Propriedade (TFP) de inspiração católica. Foi um dos expoentes do pensamento católico conservador do século XX no Brasil.
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As visões ocorridas em 1915, 1916 e 1917

As visões de Fátima se dividem em três grupos bem distintos. As primeiras se deram, não propriamente na Cova da Iria, mas em lugar muito próximo, denominado Lapa do Cabeço. Ocorreram em 1915 e 1916. Apareceu nelas um Anjo que se intitulou o Anjo de Portugal.
As outras se verificaram na Cova de Iria, em 1917. Apareceu sempre Nossa Senhora, e uma vez toda a Sagrada Família. Quer por sua seriação cronológica, quer pela qualidade das pessoas que se manifestaram, quer pelo conteúdo das mensagens, é fora de dúvida que as aparições de 1915 e 1916 foram uma preparação para as de 1917. Estas constituem a parte central de toda a série de visões. Vem por fim um grupo complementar, constituído pelas aparições de Nossa Senhora aos videntes depois das que ocorreram em Fátima. Deram-se em datas diversas e a cada um deles em separado. Constituem complemento, aliás essencial, das anteriores.
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Anjo de Portugal prepara a vinda da Virgem Santíssima

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Em 1915, entre abril e outubro, deu-se uma primeira manifestação sobrenatural. Lúcia guardava o rebanho com três outras meninas, quando “viram pairando sobre o arvoredo do vale, que se estendia a seus pés, uma nuvem, mais branca do que a neve, algo transparente, com forma humana”. Francisco e Jacinta não estavam presentes. Em dias diferentes, esta aparição se repetiu duas vezes.

Em 1916, deu-se nova aparição, desta vez em presença de Lúcia, Jacinta e Francisco. Não havia outras crianças. Repetiram-se assim mais duas aparições. O Anjo se manifestava sob a forma de um jovem resplendente, de uma consistência e um brilho como do cristal atravessado pelos raios do sol. Ensinou-os a rezar, com a fronte curvada até o chão, a seguinte prece: “Meus Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. E acrescentou que os Corações de Jesus e de Maria estavam atentos à voz de suas súplicas. Recomendou-lhes que oferecessem “tudo que pudessem”, em reparação pelos pecados e pela conversão dos pecadores. Declarou que era o Anjo de Portugal, e que deviam orar por sua pátria. Na terceira aparição, o Anjo trazia um cálice na mão, e sobre ele uma Hóstia da qual caíam dentro do cálice algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a seguinte oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferença com que é ofendido. E, pelos méritos infinitos de Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores”. Depois, deu a Hóstia a Lúcia; e o cálice, deu-o a beber a Francisco e Jacinta, dizendo ao mesmo tempo: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajados por homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus”.
Nesta narração sucinta, reproduzimos só o essencial, omitindo a profunda impressão que as palavras do Anjo produziram nas três crianças, os numerosos sacrifícios com que a partir desse momento começaram a expiar pelos pecadores, a oração a bem dizer incessante, em que se transformou sua vida. Estavam assim sendo preparadas para as revelações de Nossa Senhora.

Plínio Correia de Oliveira acrescenta ainda que "segundo tradições dignas de respeito, o Bem-aventurado Nuno Álvares Pereira estivera orando ali na véspera da famosa batalha de Aljubarrota"...

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Fátima: Cap. 2 - O Milagre do Sol

Testemunhas longe da Cova da Iria, contaram terem visto o espectáculo sem precedentes do “Baile do Sol”, exactamente como o viram as 70.000 pessoas reunidas no local em 13 de Outubro de 1917.

Na pequena aldeia de Alburitel, que fica a cerca de 13 quilómetros de Fátima, todo o povo podia apreciar a visão do prodígio solar. O testemunho mais frequentemente citado é o do Padre Inácio Lourenço, por ser o mais pormenorizado. Mas aquilo que ele narra ter visto, todos os aldeãos, entrevistados, confirmaram terem visto exactamente do mesmo modo.
As testemunhas do acontecimento foram com efeito abundantes, os depoimentos concordantes, e são inúmeros os documentos que existem.
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Muitos relatos apareceram de imediato na imprensa portuguesa. E é digno de nota que os primeiros que vieram dar o seu testemunho foram os jornalistas anticlericais. Os três artigos de Avelino de Almeida - o de 13 de Outubro, imediatamente antes do acontecimento; outro com data de 15 de Outubro, mas editado em Vila Nova de Ourém na tarde desse dia 13, e um terceiro artigo de 29 de Outubro - merecem menção especial. Apesar do tom crítico e da ironia, O Século era um jornal anticlerical e de influência maçónica, estes textos de um jornalista talentoso que é, aliás, honesto e consciencioso, são documentos históricos de importância capital.

Mas não foi ele a única pessoa a relatar estes factos, porque outros jornalistas estiveram presentes na Cova da Iria.

Diz Avelino de Almeida: assiste-se então a um espectáculo único e inacreditável para quem não foi testemunha dele. Do cimo da estrada (…) vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol que se mostra liberto de nuvens no Zénite. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse*. (Artigo de 15 de Outubro de 1917)
[*os dados astronómicos provam que não existiu qualquer eclipse solar naquele local naquela data]

E, do mesmo modo, outros afirmavam:
«A gente podia olhar para o sol tal qual como faz à lua» (Maria do Carmo)
«Tremia, tremia tanto; parecia uma roda de fogo» (Maria da Capelinha)
«Ele [o Sol] desandava como uma roda de fogo, tornava tudo das cores do Arco-íris (…)» (Maria do Carmo)
«Era como um globo de neve a rodar sobre si mesmo» (Padre Lourenço).
«Este disco tinha a vertigem do movimento. Não era a cintilação de um astro em plena vida. Girava sobre si mesmo numa velocidade arrebatada.» (Dr. Almeida Garrett)
«A certa altura, o sol parou e depois começou a dançar, a bailar; parou outra vez e outra vez começou a dançar» (Ti Marto)
«Uma luz, cujas cores mudaram dum momento para o outro, reflectiu-se nas pessoas e nas coisas» (Dr. Pereira Gens)
«De repente ouve-se um clamor, como que um grito de angústia de todo aquele povo. O sol, conservando a celeridade da sua rotação, destaca-se do firmamento e sanguíneo avança sobre a terra, ameaçando esmagar-nos com o peso da sua ígnea e ingente mó. São segundos de impressão terrífica.» (Dr. Almeida Garrett)
«Vi o sol a rolar e parecia que estava a descer. Era como uma roda de bicicleta.» (João Carreira)
«O sol começou a bailar e a certa altura pareceu deslocar-se do firmamento e, em rodas de fogo, precipitar-se sobre nós. (Alfredo da Silva Santos )
«Vi-o, perfeitamente, descer. Parecia que se despegava do Céu, correndo para nós. E a pequena altura das nossas cabeças se manteve por algum tempo. Mas foi de muito curta duração este arremesso que fez. (…) Parecia que estava muito perto das pessoas, mas voltava logo para trás.» (Maria do Carmo)
«Imediatamente aparece o sol com a circunferência bem definida. Aproxima-se como a altura das nuvens e começa girando sobre si mesmo vertiginosamente como uma roda de fogo preso, com algumas intermitências, durante mais de oito minutos.» (Padre Pereira da Silva)
«De repente, pareceu que baixava em zig-zag, ameaçando cair sobre a terra.» (Padre Lourenço)
«Vi o sol a rodar a grande velocidade e muito perto de mim (…)» (Padre João Gomes Menitra)
«Por fim, o sol parou e todos deram um suspiro de alívio.» (Maria da Capelinha)
«Dessas centenas de bocas ouvi brados de fé e amor à Santíssima Virgem. E então acreditei. Tinha a certeza de não ter sido vítima de sugestão. Vi aquele sol como nunca mais o tornei a ver.» (Mário Godinho, Engenheiro)

Foi algo muito fora do vulgar que se passou ali, junto daquelas 70 mil pessoas e visto também quilómetros em redor, mais o testemunho da imprensa céptica. Não se trata de um relato isolado de uma ou duas pessoas a dizer que viram isto ou aquilo. Mesmo para os não crentes Fátima é um mistério.
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Se for milagre, "o Milagre do Sol, é o mais evidente e colossal milagre que já aconteceu" como alguem disse.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Fátima: Cap. 1 - Iria, a Santa

Para os lados da Torre [freguesia da Batalha, Leiria, próxima da nascente do rio Lis] havia um lugar chamado de Magueixa. Lá viviam Emírgio e a sua mulher Eugénia Magueixa, assim apelidada por ter nascido naquele pequeno lugar.
Como eram muito trabalhadores e económicos, juntaram uns dinheiros e construíram uma casa a que o povo passou a chamar a Torre da Magueixa, em lembrança do nome da mulher do Emírgio.
Tempos depois nasceu naquela casa uma menina a quem seus pais puseram o nome de Iria.
Passaram os anos da infância de Iria. E, um dia, os pais mandaram-na para um recolhimento de uma terra chamada Nabância – é hoje a cidade de Tomar – onde viviam duas tias de Iria, irmãs do pai Emírgio, que se chamavam Casta e Júlia.
Em Nabância também vivia um outro parente de Iria, que era abade dos religiosos de S. Bento e que recomendou Iria a um santo monge chamado Remígio.
Iria mostrara sempre uma profunda Fé, uma devoção total, e, por isso, muito bondosa e caridosa, começou a tornar-se notada pelos seus sentimentos cristãos.
Tão profundamente sentia a Verdade pregada por Cristo que procurava a clausura para melhor se sentir junto de Deus, e só saía no dia de S. Pedro para ir rezar na Igreja deste Apóstolo.
Por aquele tempo vivia em Nabância um jovem chamado Bristaldo, filho do Governador, que ao ver na Igreja de S. Pedro a Iria, muito linda, muito formosa, se apaixonou por ela.
A paixão de Britaldo foi tão forte que adoeceu gravemente.
Iria, por inspiração divina, soube da doença do rapaz e da razão que a provocara e, por caridade, foi visitá-lo, desenganando-o dos seus desejos de se casar com ela. Então Britaldo pediu a Iria que nunca casasse nem amasse a outro rapaz, o que Iria prometeu imediatamente. Com esta promessa tão prontamente feita, o filho do Governador sentiu-se logo melhor.
Mas ... o bom Monge Remígio, a cujos cuidados Iria havido sido entregue, começou a sentir-se apaixonado pela linda Iria e a tentá-la.
Iria não aceitou as tentações do Monge Remígio, o que levou este a tramar uma vingança contra a doce e inocente Iria. E a vingança consumou-se.
O monge, que tinha muito de sábio, preparou uma beberagem com ervas, que conhecia, e que provocou a inchação do ventre, dando a aparência de uma falta.
Iria bebeu a tisana de boa fé. E o ventre de Iria começou a inchar, e quanto mais os dias corriam mais ele se avolumava e mais a sua fama de Santa desaparecia.
Todas passaram a duvidar da pureza e da virtude de Iria. Britaldo, o jovem filho do Governador, ao saber o que constava e julgando que Iria faltara à sua promessa, jurou vingar-se e ordenou a um dos seus familiares que a fosse matar.
E o familiar matou Iria, no dia 20 de Outubro de 653, degolando-a, quando Iria, sempre pura e inocente, estava ajoelhada e de mãos postas a rezar, à beira do rio Nabão, que passava junto ao Convento onde estava Iria. E o corpo foi rio abaixo.
No mesmo momento Célio, também tio de Iria, por revelação de Deus, sentiu a trama de Remígio e conheceu o sítio onde estava o corpo de Iria. E tudo revelou ao povo que, cheio de dó e reconhecendo a inocência e a pureza de Iria, deu graças a Deus e foi buscar, em solene procissão, à baixa de Santarém chamada ribeira, o corpo de Iria.
Ali chegados deu-se o grande milagre de se abrirem as águas do Tejo, na margem, até onde estava o corpo imaculado da Santa, sobre um túmulo feito pelas mãos diáfanas dos Anjos.
Era o desejo de seus conterrâneos levar o corpo de Santa Iria, mas ninguém o pôde fazer. Ninguém o movia. Apenas lhe levaram, para recordação, alguns cabelos e pedaços do pano da camisa que milagrosamente serviram para tratamento de cegos e aleijados no Convento de Santa Iria (...)
Em, Anais do Município de Leiria de João Cabral
http://www.rt-leiriafatima.pt/

Embora com algumas diferenças, Almeida Garret conta quase a mesma história. Mais curioso é o que ele conta a seguir:

Chegaram ao pé do túmulo, abriram-no, viram e tocaram o corpo da santa, mas não o puderam tirar, por mais diligências que fizeram. Conheceu-se que era milagre; e contentando-se de levar relíquias dos cabelos e da túnica, voltaram todos para a sua terra.
As águas tornaram a juntar-se e a correr como dantes, e nunca mais se abriram senão dai a seis séculos e meio, quando a boa rainha Santa Isabel, mulher del-rei D. Dinis, tão fervorosas orações fez ao pé do rio pedindo à santa que lhe aparecesse, que o rio tornou a abrir-se como o mar Vermelho á voz de Moisés, dizem os devotos cronistas, e patenteou o bendito sepulcro.
Entrou a rainha a pé enxuto pelo rio dentro, seguida de seu real esposo e de toda a sua corte; mas por mais que rezasse ela, e que trabalhassem os outros com todas as forças humanas, não puderam abrir o túmulo; quebraram todas as ferramentas, era impossível. Desenganado el-rei de que um poder sobre-humano não permitia que ele se abrisse, mandou a toda a pressa levantar um padrão muito alto sobre o mesmo túmulo, e tão alto que o rio na maior enchente o não pudesse cobrir.
O rio esperou com toda a paciência que os pedreiros acabassem e quando viu que podia continuar a correr, deu aviso, retiraram-se todos, tornaram-se a juntar as águas e o padrão ficou sobressaindo por cima delas.
Passaram mais três séculos e meio; e no ano de 1644 a Câmara de Santarém mandou refazer de cantaria lavrada o dito marco ou pedestal, que não era senão de alvenaria, e pôr-lhe em cima a imagem da santa.
Ainda lá está, assaz mal cuidado contudo; lá o vi com estes olhos pecadores no corrente mês de julho de 1843. Mas, sem milagre nem orações, o rio tinha-se retirado havia muito, para um cantinho do seu leito, e o padrão estava perfeitamente em seco, e em seco está todo o ano até começarem as cheias.
Tal é, em fidelíssimo resumo, a história da Santa Iria dos livros.
A das cantigas é, como já disse, muito outra e muito mais simples; conta-se em duas palavras. A santa está em casa de seus pais: um cavaleiro desconhecido, a quem dão pousada uma noite, levanta-se por horas mortas, rouba a descuidada e inocente donzela, foge a todo o correr de seu cavalo, e chegando a um descampado dali muito longe, pretende fazer-lhe violência... A santa resiste, ele mata-a. Dali a anos passa por ai o indigno cavaleiro, vê uma linda ermida levantada no próprio sítio onde cometeu o crime, pergunta de que santa é, dizem-lhe que é de Santa Iria. Ele cai de joelhos a pedir perdão à santa, que lhe lança em rosto o seu pecado e o amaldiçoa.
E acabou a história.
Em, Viagens na Minha Terra de Almeida Garret


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As aparições de Fátima (onde hoje se encontra o Santuário)
foram num lugar ermo chamado “Cova da Iria
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Esta Santa cristã visigótica não chegou nunca a ser canonizada, mas ficou com vários lugares e localidades com o seu nome, de Iria ou Irene. Além da Cova da Iria [sítio das aparições de Nossa Senhora de Fátima] que fica cerca de 5km da Torre, local onde se julga que nasceu, Santarém é o exemplo mais conhecido (Escalabita no tempo dos romanos, passou a ser Sant’Iria sob o domínio dos visigodos, Chanterim com os muçulmanos e Santarém com os novos cristãos da reconquista).

terça-feira, 8 de maio de 2007

A lenda da descoberta do vinho

(In A ETNOGRAFIA E O FOLCLORE NO BAIXO ALENTEJO - Manuel Joaquim Delgado, Edição da Assembleia Distrital de Beja, 1985 - pp. 238/9)

Diz-se que, logo a seguir ao Dilúvio Universal, certo homem morava com sua mulher e muitos filhos, numa rústica cabana feita de paus e colmo, no campo. Consigo vivia também um seu irmão casado que, como aquele, tinha numerosa prole. Nesses tempos recuados o primitivo homem não sabia cultivar as terras e, assim, cresciam, espontâneas, por toda a parte, as mais diversas e variadas plantas, algumas das quais, como o trigo, o centeio e o arroz, as árvores de fruto, a figueira, a laranjeira, e arbustos como a vinha, produziam frutos de que ele se alimentava. Era o mês de Setembro. Aqui e acolá, entremisturadas com outras plantas, agarradas à terra brava e inculta, desenvolviam-se as cepas ou videiras carregadas de roxos e abundantes cachos de uvas. Para satisfazerem as necessidades instintivas de alimentação, as indígenas mulheres daqueles dois homens tinham acorrido a certo lugar um tanto afastado da cabana a procurar alguns frutos e raízes com que se alimentar e dar de alimento à prole, enquanto que os homens, levando consigo alguns instrumentos mortais, procuravam caça para comer. Aconteceu que as ditas mulheres ao colherem os frutos que procuravam viram roxos e maduros cachos de uvas a que elas acharam muito graça pela forma dos frutos. Surpreendeu-as ainda, quando, ao comerem alguns bagos, os acharam tão saboroso e doces. Comeram até fartar e deram de comer a seus filhos. Não se contentando com as uvas que comeram, entenderam por bem colher e levar para a sua cabana alguns cachos. As trevas caíam sobre a terra que cobriam com seu manto escuro. Logo que os maridos dessas mulheres regressavam a casa com alguns animais que haviam caçado, elas, pressurosas, correram a dar a provar os engraçados frutos (as uvas), de que elas desconheciam o nome, e eles, provando-os, acharam-nos doces e bons. Guardaram alguns cachos numa tosca vasilha de madeira cavada de um tronco de árvore, que taparam com uma tampa também de madeira sobre a qual colocaram algumas pedras para se não destapar facilmente.

Passaram-se dias e, até, semanas. Entretidas com outras coisas que lhe despertavam a atenção, as ditas mulheres não mais se lembraram dos estranhos frutos (os cachos de uvas) seus desconhecidos. E sucedeu que a tampa, que cobria a vasilha onde haviam guardado os cachos, era frágil, e as pedras pesadas, partindo-a, caíram sobre as uvas depositadas no fundo daquela, as quais ficaram esmagadas com o peso das pedras. Passado algum tempo, uma das ditas mulheres indo verificar se a vasilha de madeira estava limpa para nela depositar frutos silvestres e outros alimentos, viu, com espanto, no fundo da vasilha, certo líquido e esmagadas, apenas com os engaços secos, as uvas de que não mais se lembrara. Cheia de curiosidade, provou o estranho líquido e achou-o doce e bom. Espantada, foi chamar a cunhada, a quem deu a provar o líquido desconhecido. Esta também o achou bom e gostou. Em face do que presenciavam, logo pensaram as rudes mulheres que esse líquido era proveniente das uvas que as pedras, caindo sobre elas, haviam esmagado e produzido aquele líquido. De prova em prova, ora uma, ora outra das mulheres, sucedeu que elas, bebendo o líquido de que tanto gostaram, se foram tornando tontas e em desequilíbrio. Com a tontura crescia nelas uma alegria íntima e estranha que não sabiam explicar. Vai daí, a certa altura, já riam às gargalhadas e sentiam que estavam tontas. Não podendo ter-se em pé, que as pernas vergavam como canas verdes, foram deitar-se mas continuaram a rir e a dizer coisa, disparatadas e sem nexo. O seu estado anormal e esquisito manteve-se até à noite quando os maridos regressaram da caça. Qual não foi o espanto deles vendo-as naquele estado e jeito de riso e de tontura. Logo pensaram que alguma coisa de grave lhes havia acontecido. Parecia-lhes que tinham sido tomadas de espírito diabólico ou possesso. O quer que fosse tinha passado por elas - pensaram eles - e perguntaram-lhes a razão por que estavam assim. As mulheres tudo lhes contaram. Mal se tendo em pé, uma delas levou o marido a ver a vasilha, no fundo da qual estava depositado o desconhecido líquido. Com efeito, provando-o, gostou dele e deu-o a provar ao, irmão que também gostou.


Havia sido feita uma grande descoberta, é que aquele líquido proveniente das uvas que havia fermentado, era vinho. Estava descoberto o vinho. Depois disso, este só veio a aperfeiçoar-se com o processo de o fabricar.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Palácio da Pena, o palácio do Rei D. Fernando II.

O Palácio da Pena deve-se inteiramente à iniciativa de D. Fernando de Saxe Coburgo-Gotha, que casou com a Rainha D. Maria II, em 1836. Ficando viúvo, este alemão tornou-se rei de Portugal.

Dotado de uma educação muito completa, o futuro D. Fernando II enamorou-se rapidamente de Sintra e, ao subir a Serra pela primeira vez, avistou as ruínas do antigo convento, originalmente construído no reinado de D. João II e substancialmente transformado com D. Manuel I que, ao cumprir uma promessa, o mandou reconstruir em pedra, em louvor de Nossa Senhora da Pena. Com o Terramoto de 1755, que devastou Lisboa e toda a região circundante, o convento da Pena caiu em ruína. Apenas a Capela, na zona do altar-mor, com o magnífico retábulo em mármore e alabastro atribuído a Nicolau de Chanterenne, permaneceu intacto. Foram estas ruínas, no topo escarpado da Serra de Sintra, que maravilharam D. Fernando.
Em 1838, decidiu adquirir o velho convento, toda a cerca envolvente, o Castelo dos Mouros e outras quintas e matas circundantes. Assim, deu início ao seu sonho romântico: reconstruir o antigo convento e anexar-lhe uma parte nova para complemento desta residência de Verão da família real portuguesa. Pensou, igualmente, em mandar plantar um magnífico parque, à inglesa, com as mais variadas, exóticas e ricas espécies arbóreas. Desta forma, Parque e Palácio da Pena constituem um todo magnífico.

O Palácio, em si, é um edifício ecléctico onde a profusão de estilos e o movimento dos volumes são uma invulgar e excepcional lição de arquitectura. Quase todo o Palácio assenta em enormes rochedos, e a mistura de estilos que ostenta (Neo-gótico, Neo-manuelino, Neo-islâmico, Neo-renascentista, etc.) é verdadeiramente intencional, na medida em que a mentalidade romântica do séc. XIX dedicava um invulgar fascínio ao exotismo. O conjunto das diversas guaritas, das mais variadas formas e feitios, o desnivelamento dos sucessivos terraços, o revestimento parietal com azulejos neo-hispano-árabes oitocentistas, são elementos significativos.
A adaptação da janela do Convento de Cristo em Tomar, do lado do Pátio dos Arcos e a notável figura do Tritão, simbolizando, segundo alguns autores, a alegoria da Criação do Mundo, são pormenores fundamentais na interpretação deste Palácio. A concepção dos interiores deste Palácio para adaptação à residência de verão da família real valorizou os excelentes trabalhos em estuque, pinturas murais em trompe-l’oeil e diversos revestimentos em azulejo do séc. XIX, integrando as inúmeras colecções reais em ambientes onde o gosto pelo bricabraque e pelo coleccionismo são bem evidentes. Fonte: IPPAR

Um conselho: se for visitar a Pena, principalmente em período de férias, vá cedo. O palácio por dentro está espectacular e são milhares as pessoas em filas, a querer visitá-lo...

domingo, 6 de maio de 2007

A Casa Portuguesa do arquitecto Raul Lino (1889-1974)















A ARQUITECTURA PODE SER FANTASIA E REALIDADE
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Ao contrário da casa portuguesa cantada por Amália Rodrigues, a de Raul Lino é uma casa soberba. Quando se tem oportunidade de contactar com o seu legado, saltam à vista a qualidade do desenho, recheado de motivos portugueses e a integração com o meio circundante. Com Raul Lino é possível conceber uma “Arquitectura Portuguesa”.

Raul Lino entendia que a estética era um elemento essencial, mesmo nas casas mais modestas e de construção mais económica.
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O resultado é equilibrado entre a estética e a funcionalidade, a criatividade, a atenção dada aos pormenores e a utilidade, os materiais tradicionais e as comodidades actuais. E é sempre uma arquitectura brilhante.
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António Quadros chamou-lhe o último arquitecto português. Seria bom que não, e que o génio fizesse escola, porque se o país pretender qualificar melhor o seu espaço, precisa de acabar com a “arquitectura do mamarracho". Vejamos por exemplo a construção tradicional preservada e estimulada por essa Europa desenvolvida e vejamos os debates que hoje envolvem temas como a qualificação de quem assina um projecto (em http://www.arquitectos.pt/index.htm).
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PARA RAUL LINO ESTA É ARQUITECTURA PORTUGUESA.

Ver também neste blogue Observações sobre a oliveira por Raul Lino.

sábado, 5 de maio de 2007

sexta-feira, 4 de maio de 2007

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O Dragão da Super Bock Abadia



Este grande anúncio é da responsabilidade da Strat (http://www.strat.pt/).

Super Bock Abadia é a primeira cerveja de receita artesanal produzida em Portugal. É uma cerveja da Unicer. Caracteriza-se por um aroma rico, mais forte e encorpado, frutado e vivo, com um sabor suave e confortante e de cor mais intensa devido às variedades especiais de Malte utilizadas.

A Super Bock Abadia remete-nos para uma envolvente ancestral. O fundo recria a rosácea do Mosteiro de Leça do Balio.
Receita artesanal. Cerveja forte. 6,4% de teor alcoólico. Aroma rico e puro com notas de caramelo. Corpo equilibrado. Gosto suave e doce, não muito amargo. Coloração mais intensa, alaranjada, conferida pela utilização de um malte especial. Coroada por uma espuma cremosa, cuja cor está em harmonia com a da cerveja.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

A Fundação Eugénio de Almeida de Évora

Em Évora há uma porta sempre aberta à solidariedade e ao desenvolvimento: a porta da Fundação Eugénio de Almeida.

Criada em 1963 pelo Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida com o objectivo de apoiar o desenvolvimento da região, a Fundação prossegue fins culturais, educativos e de solidariedade social.

E seja através do seu projecto agro-pecuário pioneiro e inovador, do seu programa de bolsas de estudo ou do seu contributo para outras instituições sociais, culturais, de ensino ou artísticas, os beneficiários deste grande projecto são sempre as pessoas de Évora.
Para quem esta porta nunca se fecha.

In http://www.fea-evora.com.pt/

A Cartuxa é propriedade da Fundação Eugénio de Almeida. Um dos seus vinhos mais populares é o EA. Este ano, o tinto de 2006, EA rótulo azul, está a €5,98 no Jumbo. Excelente relação qualidade/preço.
Ver os vinhos da Cartuxa em http://www.cartuxa.pt/ .

terça-feira, 1 de maio de 2007

Miguel Torga

[Miguel Torga é o pseudónimo do Dr. Adolfo Correia Rocha (1907-1995), que exercia a sua profissão de médico em Coimbra, onde vivia. Foi um opositor do regime salazarista e esteve preso. É um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos. A sua obra inclui romance, conto, poesia, teatro e um Diário em 16 volumes.]

Transcrevo do seu Diário XII:

Coimbra, 1 de Maio de 1974 – Colossal cortejo pelas ruas da cidade. Uma explosão gregária de alegria indutiva a desfilar diante das forças de repressão remetidas aos quartéis.
- Mais bonito do que a Rainha Santa...-dizia uma popular.
Segui o caudal humano, calado, a ouvir vivas e morras, travado por não sei que incerteza, sem poder vibrar com o entusiasmo que me rodeava, na recôndita e vã esperança de ser contagiado. Há horas que são de todos. Porque não havia aquela de ser minha? Mas não. Dentro de mim ressoava apenas uma pergunta: em que oceano de bom senso iria desaguar aquele delírio? Que oculta e avisada abnegação estaria pronta para guiar no caminho da história a cegueira daquela confiança?
A velhice é isto: ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez.