domingo, 30 de setembro de 2007

Macau é uma pérola

Macau foi a primeira colónia europeia do Leste da Ásia. Fundada no Século XVI e devolvida à China em 1999, ficou integrada na China como Região Administrativa Especial com elevado grau de autonomia durante 50 anos.
Macau é uma das zonas do mundo com mais rápido crescimento económico, 20% por ano, graças ao jogo.
Macau deve a Stanley Ho o grande desenvolvimento do jogo desde 1962 e a Edmund Ho, actual chefe do governo, a abertura do jogo a novos investimentos, principalmente os de Sheldon Adelson e os de Steve Wynn de Las Vegas que vieram trazer uma nova dinâmica aos investimentos em Macau.
Não foi por acaso que Macau ultrapassou Las Vegas, tornando-se a campeã do jogo a nível mundial (7 mil milhões de dólares versus 6,5 mil milhões de dólares). As políticas têm-se revelado as mais correctas. Quase não há desemprego, existindo pelo contrário falta de trabalhadores.
A habilidade de Edmund Ho deve ser realçada a muitos níveis, desde o acordo CEPA de 2004, eliminando as barreiras alfandegárias da entrada de produtos macaenses na China continental, até ao actual nível do sistema de saúde, um dos melhores da Ásia. Macau, a nossa Pujing na Ásia, vale em absoluto uma visita.



Patacas, a moeda de Macau.




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Bandeira de Macau

sábado, 29 de setembro de 2007

Equipamentos - época 2007/8 - dos "3 Grandes"

E porque hoje é dia de jogos importantes com os "3 Grandes" do futebol lusitano, qual é o equipamento mais bonito? Vá lá, tentem ser frios e objectivos. Os equipamentos tendem a ter um desenho tão apelativo quanto possível e a ser até, objectos de moda. Os equipamentos deste ano não fugiram à regra, tanto os principais como os alternativos: há os mais vistosos, os mais originais, os mais chiques, os mais discretos, etc.
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A paixão clubista quase sempre tolhe-nos o raciocínio e mesmo sem o querermos, escolhemos o equipamento do nosso clube: a nossa bandeira é sempre mais bonita que a dos outros. É uma questão afectiva. Não há nada a fazer.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Chamada à Realidade









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Ás vezes encontro perdidos entre os velhos livros, pequenos fragmentos do passado. Foi recentemente o caso de um Boletim de Informações da Secção de Imprensa da Embaixada Britânica, que ficava no número 26 da Rua de São Domingos à Lapa em Lisboa, datado de 24/10/42:

Diz o texto:

Chamada à Realidade

Depois de Hitler, Goebbels proclamou com tanta satisfação como orgulho, no seu discurso de 18 de Outubro, que a Alemanha atingiu “todos os seus objectivos a Este”.

“Primeiro” – disse o grão-mestre da propaganda do Reich – “tratou-se de abater o perigo bolchevista que ameaçava o Reich. Isto foi realizado. Depois, tratou-se de garantir a segurança da nossa vida nacional. Esse fim foi igualmente atingido.”

Ora, o povo alemão, apesar de ser fraco de memória, deve certamente perguntar aos seus botões: “Foi para isto que atacámos a Rússia?” Se tiver a curiosidade de procurar a resposta no primeiro discurso proferido pelo seu Führer a esse respeito, verá que a finalidade do ataque era muito diversa: tratava-se de libertar a Alemanha da “ameaça russa”, a fim de ter as mãos livres para a luta contra a Inglaterra.

A “ameaça russa” pesa agora mais do que nunca sobre a Alemanha, visto que o mesmo Dr. Goebbels confessou no mesmo discurso que se o Reich deixa sem resposta os terríveis golpes da RAF é por se ver obrigado a concentrar todas as suas forças contra o “principal objectivo”, que continua a ser – após dois anos de lutas vãs e mortíferas! – a Rússia.

Prazer Sádico

Uma vez mais Goebbels proclamou no seu último discurso de Munich que a Alemanha nazi não se bate de modo algum por um “ideal”, seja ele qual for, mas por fins essencialmente materialistas. “Queremos”, disse ele, “que o nosso nível de vida seja elevado”. E, como se não tivesse exprimido com bastante clareza o seu pensamento, acrescentou: “Desta vez trata-se de coisas mais importantes”. Mais importantes do que os ideais, claro está! Trata-se nomeadamente, ainda segundo Goebbels, de: “hulha, ferro, petróleo e, em primeiro lugar, trigo”.

Dir-se-ia que o ministro da propaganda do Reich encontra um prazer sádico em ridicularizar os pobres cretinos que, no estrangeiro, tomaram a sério o seu estribilho de “luta pela civilização europeia”.

(...)

Depois de ter assim desmentido a sua própria propaganda e o Führer, Goebbels esclarece que aquilo que poderia ser uma mudança de estratégia não é afinal mais do que um compasso de espera, necessário. E concretizando com elegância: “Estamos actualmente ocupados em digerir o que já deglutimos”.
Mas, a desgraça para a Alemanha é que ela possui, precisamente, má digestão...

(...)

Devido ao estado do documento pouco mais se consegue perceber, excepto uma passagem que faz referência a um dos discursos de von Ribbentrop, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reich de 27 de Setembro de 1942.
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Nos dias de hoje, 65 anos depois, Munique, a católica cidade dos monges, é uma metrópole fantástica que todos os anos realiza uma das festas mais espectaculares que existem no mundo: a festa da cerveja, Oktoberfest ou, como dizem os alemães, “Wiesn”, em que a maioria dos muitos milhares de turistas são americanos.
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Ao olhar para trás vemos que tudo muda e ao que parece, quase sempre tem sido para melhor.
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domingo, 23 de setembro de 2007

O elogio do sal, 3ª parte: receita de frango ao sal.

É a forma mais fácil de cozinhar um frango. Basta um forno de fogão e 2 quilos de sal grosso – pode ser o Marnoto da Necton, e um frango inteiro com pele, sem miúdos.

Os frangos embalados já estão preparados para serem cozinhados. Escolha uma travessa onde caiba o frango - eu uso um prato grande de pizza, já vão ver porquê. Tape a área do fundo onde vai colocar o frango com sal – cerca de um centímetro de altura, e ponha o frango em cima.
O restante sal deve ser colocado por cima do frango, de forma a tapar por completo o frango. O aspecto ficará a ser uma pirâmide de sal com uma base bastante larga. Por isso dá jeito a base larga de pizza. Não necessita temperar com mais nada, nem louro, nem pimenta, nem limão, etc, nem necessita coser com linha o frango para não deixar entrar o sal. Não se preocupe que o frango não ficará salgado.

Só tem de levar ao forno quente. Esperar pelo menos uma hora e retirar o frango quando o sal estiver bem corado.
Partir a crosta, cortar o frango limpando-o de sal e está pronto a servir. A pele fica estaladiça e o frango fica cozinhado de forma homogénea e muito saboroso sem estar salgado.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O elogio do sal, 2ª parte: a flor de sal da Necton.

Dizem os pescadores que o melhor peixe é o cozinhado com água do mar e que a melhor caldeirada é a feita com o peixe fresco em alto mar.

O “sabor a mar” deve-se em grande parte ao sal, como sabemos quando cozinhamos, e a parte mais saborosa do sal é a “Flor de Sal”.


A Necton

No sítio da Necton, empresa que comercializa as marcas Marnoto e Belamandil, ver http://www.necton.pt/pt/flor-do-sal.html
e ainda a interessante comparação entre os vários tipos de sal em
http://www.necton.pt/pt/comparacao.html

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O elogio do sal, 1ª parte: um poema.

Quero contribuir para o muito merecido elogio do sal. Todos nós o usamos todos os dias, porque ele dá sabor aos alimentos e durante gerações, antes de existirem frigoríficos, era o melhor meio para conservar o peixe e a carne.
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A homenagem ao sal na forma de um poema, feita pelo grande Branquinho da Fonseca:



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Louvor do sal

Ó salinas de branco à beira-mar!
Onda vestindo azul que foste presa
para o fogo do sol e hás-de acabar
em pedrinhas de neve à minha mesa!

Sal que provaste a boca à bem-amada
quando se soube ao certo do seu nome...
Voltas da alma em lágrimas: ficou-me
de prová-las a boca ressalgada...

Ó sal em barcas a subir o rio!
Sal que, em montes de neve, ao sol do estio,
à beira das salinas te adormentas...

Eis que dás gosto ao gosto da comida,
como o amor dá gosto à nossa vida,
filho do azul do céu e das tormentas!

(Poemas, Branquinho da Fonseca, 1926)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dia de Pangea, Pangea Day - 10 de Maio de 2008

Divulga esta campanha pela tolerância entre os povos e culturas, e pela paz.


(Em http://www.youtube.com/watch?v=Pl3xHIsvF9o )


Adere em http://www.pangeaday.org/

sábado, 15 de setembro de 2007

O Pequeno T2 de Ricardo Azevedo

Depois de Sara Tavares, mais um grande anúncio do Millenium BCP: o Pequeno T2 de Ricardo Azevedo (ex-vocalista dos EZ Special).



A canção faz parte do CD Prefácio, um excelente disco, o primeiro a solo de Ricardo Azevedo, que é já um sucesso.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Etimologias populares III - Freixo de Espada à Cinta


São várias as histórias que se contam e que dão nome à vila, sede de concelho. Importa primeiro saber que o freixo é uma árvore muito comum, e que em Portugal vários são os lugares e povoações com o nome de Freixo - como o Freixo de Ponte de Lima ou o Freixo de Marco de Canavezes. Ora, poderia ter existido naquele local uma povoação com o nome de Freixo, mas que devido à sua posição de fronteira, de defesa do território, ficou com o nome guerreiro de Freixo de Espada à Cinta. O foral é inicialmente concedido por D. Afonso Henriques e D. Sancho II eleva a povoação à categoria de Vila, mas é muito possível que o agregado populacional seja mais antigo ainda que a nacionalidade.
(Ver o interessante projecto 3D de reconstituição do castelo de Freixo de Espada à Cinta em http://www.freyxeno.com/)

Um dia, manhã muito cedo, vinha de Miranda para a Guarda. O Sol estava ainda a nascer e já tinha andado uns bons quilómetros, quando junto a Freixo de Espada à Cinta, próximo da zona da barragem de Saucelle começo a ouvir um som a ecoar fora do carro. Ouvia mal, dado que levava os vidros fechados porque estava fresco, embora fosse Verão. Abri então os vidros e imediatamente o volume aumentou, mas devido à deslocação do automóvel e ao ruído do motor, não me apercebi do que se tratava. Era um som estranho porque enchia o ar e não era localizado, não vinha de nenhuma direcção. Parei a viatura na berma e saí para fora para tentar compreender o que aquilo era. O barulho, muito alto, era provocado pelos muitos e muitos milhares de pássaros, invisíveis, que se encontravam dentro das árvores que enchiam as margens inclinadas do Douro.

No sítio da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta contam-se as seguintes lendas
(ver http://www.cm-freixoespadacinta.pt/?doc=46&menu2=7#inicio):

1- A vila foi fundada por um fidalgo de apelido “Feijão”, falecido em 977, primo de S. Rosendo, e como por armas no seu brasão figurariam um freixo com uma espada cintada, a vila tomou daí o seu nome.
2- Outra refere ter sido um nobre godo chamado «Espadacinta» que após uma batalha com os árabes nas margens do Douro e chegado a este lugar se sentou a descansar à sombra de um enorme freixo, onde pendurou a sua espada, perpetuando-se o nome à povoação que um pouco mais tarde se começou a formar: Freixo de Espadacinta.
3- Dizem ainda que El Rei D. Dinis, estando muito fatigado das guerras que mantinha com o seu filho bastardo, Afonso Sanches, e de passagem por esta terra se deitou a descansar à sombra de um freixo, onde cravou o seu cinturão com a majestosa espada. Adormecendo e embalado pela brisa suave que batia nas folhas da possante árvore sonhou que o espírito do freixo lhe traçava as directrizes mais sábias e correctas para o futuro do reino de Portugal. Quando o rei acordou deste revigorante descanso, decretou que a vila se passasse a chamar Freixo de Espada à Cinta.
O que é certo é que ainda hoje junto à Igreja Matriz e torre heptagonal que nos ficou do extinto castelo medieval, existe um velho freixo venerado e estimado pelo povo, por o considerar o mesmo destas lendas.
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Vale a pena visitar Freixo de Espada à Cinta. Há alojamento na vila e também turismo rural com qualidade. Além da história e das paisagens, outros motivos de interesse são a gastronomia e o artesanato.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Etimologias populares II - A lenda da fundação de Lisboa


Conta a lenda que em tempos remotos, nada desta cidade de Lisboa existia e toda a costa recebia um nome estranho e simbólico: Ofiusa, ou seja, a Terra das Serpentes. E as serpentes tinham também a sua rainha. Uma rainha estranha, meio mulher, meio serpente, senhora de um olhar feiticeiro, e duma voz quase infantil.
Às vezes subia ao alto dum monte e gritava ao vento para que pudesse ouvir a sua própia voz:
- Este é o meu reino! Só eu governo aqui...ninguém mais! Nenhum homem se atreverá a pôr aqui os pés! Ai do que ousar! As minhas serpentes não o deixarão respirar um minuto, sequer!
Mas ela, a rainha, enganava-se. Um dia, vindo de longe, um herói lendário chamado Ulisses e famoso pelas suas façanhas guerreiras, aproou nesse mesmo local onde hoje se ergue a cidade de Lisboa. Mal colocou os pés em terra, ficou deslumbrado. Os seus olhos não se cansavam de admirar as maravilhas de que a natureza se mostrava tão pródiga. Reuniu então os seus homens e anunciou:
- Aqui edificarei a cidade mais bela do Universo! Dar-lhe-ei o meu nome...será Ulisseia, capital do Mundo!
Porém depressa ele compreendeu que a tarefa não seria fácil. Nada fácil mesmo! Muitos dos seus homens tombavam envenenados por mordeduras de serpentes...outros desapareciam, apanhados por traiçoeiras armadilhas! E, entretanto, o inimigo, desconhecido e oculto, ia apertando o seu cerco em redor de Ulisses.
O guerreiro andava desesperado. Ele não era cobarde. Quase amava o perigo. Mas um perigo vísivel , um perigo palpável. Não um morticínio como aquele, tão inglório. Certa vez em que teve a triste nova de saber que tombara para sempre um dos seus melhores amigos e vítima duma morte muito estranha, Ulisses subiu a um alto donde dominava o espaço em frente e gritou alto, a plenos pulmões:
- Por todos os deuses do Olimpo eu vos desafio, inimigo traiçoeiro e vilão. Estou habituado às lutas, mas de cara a cara, frente a frente, com lutadores que se prezam e que não se escondem na sombra! Aparecei de uma vez! Quero ver-vos!
Mas em vão ele chamava. O inimigo continuava ceifando vidas e não lhe aparecia frente a frente. Apenas os silvos das serpentes – sinfonia de ruídos estranhos que inundavam a noite – mantinham Ulisses em permanente tensão nervosa.
Inimigo presente e oculto, simultâneamente, era o problema em que Ulisses se debatia na ânsia duma solução. A sua coragem era enorme. Mas a sua valentia ultrapassava-a. Contudo, o problema continuava insolúvel. Como exterminar aquilo que se não conhece?
Nessa tarde, ainda o Sol caminhava seguro, na linha do horizonte quando o guerreiro, tomado de súbita raiva, subiu, de novo, a uma pequena elevação, gritando:
- Ah! Pudeis tentar tudo o que quiserdes, inimigo invisível! Mas não abandonarei esta terra sem aqui deixar a mais famosa cidade edificada até hoje! Ouvis bem o que eu disse?
Houve um terrível e profundo silêncio. E de súbito, um rochedo desviou-se e deu lugar a uma estranha mulher, que tinha qualquer coisa de serpente.
Ulisses ficou-se a olhá-la surpreendido e escutou a sua voz atraente mas incisiva:
- E se eu me opuser aos teus desígnios? E se eu te disser, visitante ousado, que a tua vontade de nada vale dentro dos meus domínios?
Com uma surpresa crescente, Ulisses perguntou:
- Mas quem sois vós, senhora? Por esta luz que ilumina os meus olhos, vos juro que nunca vi ninguém semelhante a vós! Quem sois?
Serenamente, ela respondeu-lhe:
- Sou a rainha desta terra! A rainha de Ofiusa, o reino das serpentes!
O rosto de Ulisses, animou-se num sorriso. O primeiro, desde que o inimigo começara a atacá-lo. Mas esse sorriso não era feliz. Havia qualquer coisa de enigmático que lhe dava um sabor estranho. Aproximou-se da mulher que lhe falava. Olhou-a bem de frente, numa minúcia quase excitante, e declarou então:
- Agora compreendo porque sois assim! Tendes, na verdade a graça felina das serpentes...a vossa fala é doce...o vosso olhar é amargo!...
Foi a vez da mulher sorrir. E a sua voz bonita tornou-se mais insinuante:
- Achais o meu olhar amargo? Pois eu não o sou tanto como o pensais, nobre navegante! Durante dias e noites esperei a vossa rendição. Mas fostes corajoso! Ainda bem! Aprendi a admirar-vos!
Ulisses curvou-se num cumprimento:
- Grato pelas vossas palavras, senhora...No meu país as mulheres não sabem falar assim!
Ela olhou-o intencionalmente:
- Pois aqui...na minha terra...sente-se a falta dum rei!
O guerreiro sorriu:
- Quereis explicar-vos melhor?
O olhar dela estava preso ao dele como que num encantamento.
- Achais necessário nobre navegante? Não tendes já percebido o meu desejo?
Sem deixar de a fitar, Ulisses, jovem e valoroso guerreiro, falou-lhe já um pouco perturbado:
- Preferia que fosseis vós a expor o vosso plano!
Ela sorriu-lhe abertamente:
- Pois bem. Acho que podeis edificar aqui essa tal cidade que sonhastes mas...com uma condição. Ficareis vivendo cá para sempre!
Ele, com o seu espírito de independência tentou ainda opor-se:
- E se eu não puder aceitar a vossa condição?
Ela teve um gesto evasivo:
- Aceitando ou não, nobre navegador – creio que ficareis da mesma maneira!
Calaram-se. Ele sem resposta. Ela crente do seu triunfo. Continuava, porém, a prendê-lo nesse seu olhar estranho...como que de encantamento.
Vencido, Ulisses murmurou:
- Pois bem...aceito...
E a partir desse dia, ou antes, a partir dessa hora, tudo se modificou na terra estranha e bela onde Ulisses aportara. Desembarcaram homens, ferramentas, material. Num grande esforço, ergueram-se edifícios, abriram-se jardins, fizeram-se ruas!
As serpentes já não atacavam os operários. Agora as mulheres serpentes reuniam-se e cantavam para que os homens trabalhassem. Cântico enfeitiçado que possuía em si próprio qualquer coisa de mágico!
Algum tempo passou. Porém, Ulisses o irrequieto Ulisses não queria ficar ali. A sua terra chamava por ele. E embora aquela cidade recebesse o nome de ULISSEIA, consagrando-o como seu dono e senhor, a verdade é que o destino de Ulisses era um destino de aventura. Ele sentia saudades do mar e sede de novas lutas. Mas partir não era fácil. Havia um grande, um enorme obstáculo quase impossível de transpôr: a rainha das serpentes. Ela adorava-o e queria-o preso a si.
Aliás, em todos os tempos houve sempre quem gostasse de transmitir o segredo que não lhe pertence. E assim chegou aos ouvidos da Rainha que Ulisses pretendia deixá-la. Desesperada, ela procurou-o sem demora:
- Nunca te deixarei partir! Olha bem para mim...Nos meus olhos podes ler o amor...ou a morte!
Ele viu bem como eram verdadeiras as suas palavras e achou que devia mentir-lhe para levar ávante o seu projecto de fuga. E sorrindo-lhe o mais docemente possível , replicou-lhe:
- Mas quem te falou em abalar? Nunca semelhante ideia me passou pela cabeça. Não vês como sou feliz contigo? Não é tão bela a cidade que edificamos?
O diálogo continuou numa atmosfera de dúvida e falso carinho.
- Ulisses! Não me mintas! Seria muito pior para ti! O meu ódio será tão grande como o meu amor!
- És louca! Não sou eu aqui rei e senhor? Para que havia de querer partir?
- Disseram-me que tens saudades da tua terra!
- Mentiram-te!
- E com que intenção?
- A de desunir-nos! Nós dois, juntos, somos muralhas invencíveis.
- Dizes bem! Unidos ninguém conseguirá vencer-nos! Mas...vejo-te, às vezes, tão pensativo a olhar para o Oceano...Receio que desejes novas aventuras...
- Que ideia! Eu prefiro ler o amor nos teus olhos. Não quero ódios.
- No entanto, sinto que foges de mim.
- Isso é ideia tua! Olha: à noite daremos um grande passeio, como nos primeiros dias do nosso amor. Queres?
- Sim, Ulisses! Mas não te esqueças: o meu amor é grande mas o meu ódio pode ainda ser maior!
Ele sorriu-lhe. Alguém chegou e a conversa ficou suspensa. Lentamente, a rainha das serpentes afastou-se...
Ulisses preparou tudo para essa noite. Teria de fugir e para isso precisava de um plano bem organizado. Chamou então o mais fiel dos seus companheiros e disse-lhe:
- Escuta, preciso da tua ajuda...
O fiel companheiro respondeu-lhe com a solenidade dos grandes momentos:
- Podes contar comigo para tudo! Dispõe da minha vida se quiseres.
- Não quero tanto...preciso apenas que te disfarces tão bem que alguém te possa confundir comigo próprio.
- É fácil...temos a mesma estatura!
Ulisses abanou a cabeça apreensiva:
- Pois sim...mas não te esqueças que se trata de enganar uma mulher...e o coração das mulheres é bem difícil de enganar!
O companheiro de Ulisses baixou a voz:
- Compreendo...queres fugir dela esta noite!
Ulisses sorriu, feliz.
- Isso mesmo! Tenho já o plano formado. Irás buscá-la e passear com ela que está à minha espera. Entretanto, eu fugirei.
Como resposta, o companheiro de Ulisses disse apenas:
- Que os deuses nos protejam!
De princípio, tudo se passou como Ulisses previra. O seu fiel companheiro, muito bem disfarçado, foi buscar a Rainha das Serpentes e levou-a para longe do rio, passeando ao luar. Mas só ela falava. Ele receava que ela lhe reconhecesse a voz. Embalada pela emoção do amor, a rainha serpente ia dizendo, embevecida:
- Construiremos um império imenso. E a tua Ulisseia – a nossa Ulisseia – será a cabeça do Mundo. A cabeça desse Império! Que dizes? Ah! Mas tu não falas? Não me dizes nada? Porquê?
A mulher serpente começou a inquietar-se.
- Olha para mim! Quero ver os teus olhos! Tu escondes-me alguma coisa!
Ele tentou afastar-se. Ela encarou-o de frente e reparando no engano em que caíra, gritou furiosa:
- Ah, vilão! Fui traída! Enganada! Mas tu morrerás e ele também. Toma! Este é o teu castigo. Recebe o meu veneno!
O companheiro de Ulisses deu um grito e caíu no chão. Ela curvou-se para ele:
- Diz-me, conta-me a verdade! Onde está Ulisses?
Num estertor, o jovem companheiro de Ulisses, que dera a vida pela liberdade do amigo, balbuciou, delirante:
- Ele fugiu...pelo mar...já deve ir longe...
Ela cerrou os dentes numa praga:
- Maldito! Mil vezes maldito! Hei-de alcançá-lo custe o que custar!
E conta a lenda que num esforço superior às suas próprias possibilidades – a Rainha das Serpentes – quis estender-se sobre a cidade alcançando o mar. Daí, dessa inútil tentativa – porque Ulisses já ia longe – resultou apenas a sua morte. E como simbolismo do esforço feito, ficaram as sete colinas de Lisboa, desenhadas pelas contorsões finais da pobre Rainha das Serpentes.
Espavoridas, as serpentes fugiram. Mas ali, no antigo reino de veneno e de morte, ficou edificada a altaneira, nas suas sete colinas, a mais bela cidade de então!

(Em A Lenda da Fundação de Lisboa incluído em As Lendas da Nossa Terra por Gentil Marques, 1955, citado por Alexandre de Carvalho Costa em Lendas e Historietas Populares, 1959.)

Seja qual a forma que adquira, esta lenda é recorrente noutros locais: a rainha-serpente-réptil, representando a deusa-terra-mãe ser vencida por um herói, um Deus ou um Santo. É algo que os estudiosos da mitologia conhecem e que se aproxima do conhecido mito de Adão e Eva.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Etimologias populares I – Aveiro, Cascais e Mirandela












O povo conta coisas engraçadas e sabe tornar-se muito inventivo no que toca ao nome de terras e de lugares. A memória dessas histórias perde-se no tempo, quase sempre. Vejamos algumas.

Aveiro
O nome existe devido às muitas aves que tem aquele local e diz a lenda, onde habitava um conhecido caçador de aves ou...aveiro.

Cascais
Jesus Cristo terá vindo a fugir dos judeus que o perseguiam para lhe fazer mal, até chegar à famosa baía, onde terá dito aos seus perseguidores que o maltratavam “até aqui me cascais”.

Mirandela
Havia uma lavradeira de nome Comba que despertou os desejos do líder mouro da terra, o emir Orelhão. Opondo-se ela aos seus desejos, o emir matou-a. A lavradeira vivia na serra perto da povoação, que tem agora o nome de Serra de Santa Comba. Mirandela significaria então A mira dela ou mirando ela, visto que a serra onde Comba vivia, fica mesmo de frente a Mirandela. Próximo, há o lugar de Lamas de Orelhão.

Por vezes as autarquias vão recuperar as antigas lendas, que fazem parte da cultura da nossa terra e publicam-nas, como é o caso da Câmara de Mirandela: ver no excelente sítio da câmara em http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=3255 , as histórias do concelho.

domingo, 9 de setembro de 2007

Textos sobre Portugal e Espanha

Textos escolhidos a propósito de uma exposição conjunta da Torre do Tombo e do Parlamento, aberta ao público até Dezembro que inclui original do Tratado de Tordesilhas.
Ver http://www.assembleiadarepublica.pt/destaques/expoTratados/index.html

Hernâni Cidade e as duas Espanhas

(...) Afirma com manifesto aziúme o escritor espanhol Artéche: “Constitui a Península Hispânica uma unidade geográfica, perfeita e claramente definida, por se achar limitada pelos Pirinéus, que a separam do resto da Europa, e pelo mar que a rodeia (...). Assim se compreende que a Espanha deva constituir uma unidade política e que sempre os seus povos se tenham considerado ligados por um vínculo comum, bem como os seus habitantes tenham adquirido um carácter especial, que os torna inconfundíveis com as outras nações de além-Pirinéus”.
A asserção do ilustre escritor peca, pelo menos, por excessivo simplismo. A propria corografia da Península a invalida.
Se aquele é, de facto, o aspecto que à primeira vista se colhe da forma geográfica da Península, oferece ela, a quem mais atentamente a observe, as suas duas faces que, já no século X, lhe notara o perspicaz geógrafo moiro Razis: “Dizem que as Espanhas são duas, porque se partem em duas partes, e isto por o movimento e corrimento das chuvas e dos rios, uns que correm para o mar Oceano e outros que vão para o Mediterrâneo (...).
Ao longo da história se projecta aliás, a toda a evidência, esta dualidade da Hispânia assinalada pelo escritor moiro. Desdobra-se nela a existência duma Hispânia mediterrânea e duma Hispânia atlântica. (...)
(Em Cultura Portuguesa, Vol I)

Crítica de Jaime Cortesão a Oliveira Martins

(...) Na História de Portugal [de Oliveira Martins], depois de afirmar que as populações da Espanha formam um corpo etnológico, dotado de caracteres gerais, põe o seguinte problema: “Há uma originalidade colectiva no povo português, em frente dos demais povos da Península?” Logo responde: “Cremos qua a há, circunscrita porém a traços secundários”. E adiante objectiva:
“Há no génio português, o que quer que é de vago e fugitivo, que contrasta com a terminante afirmativa do castelhano: há no heroísmo lusitano uma nobreza que difere da fúria dos nossos vizinhos; há nas nossas letras e no nosso pensamento uma nota profunda ou sentimental; irónica ou meiga, que em vão se buscaria na história da civilização castelhana, violenta, sem profundidade, apaixonada mas sem entranhas, capaz de invectivas mas alheia a toda a ironia, amante sem meiguice, magnânima sem caridade, mais que humana muitas vezes, outras abaixo da craveira do homem, a entestar com as feras. Trágica e ardente sempre a história espanhola difere da portuguesa que é mais propriamente épica: e as diferenças na história traduzem as dessimilhanças do carácter”.
Entre esta definição dos traços do “génio português” e a sua classificação de secundários, em relação ao tipo hispano, a contradição é patente. (...)
(Em O Humanismo Universalista dos Portugueses)

A Civilização Ibérica de Almada Negreiros

(...) Civilização Ibérica, sim. Sempre.
União ibérica, não. Nunca.
Aljubarrota mais Toro igual a zero.
Península Ibérica igual a Espanha mais Portugal.
A Península Ibérica já foi cabeça do mundo com a forte Espanha e o heróico Portugal. A Península Ibérica fez a América Latina.
A Península Ibérica espalhou por toda a terra o sangue de Espanha e os padrões de Portugal.
Ficaram eternos no mundo Portugal e Espanha. Pela primeira vez na História, dois povos independentes realizam uma mesma e única civilização: Portugal e Espanha criaram a Civilização Ibérica. (...)
(Em Unidades de Portugal, Ensaios I, ed. Estampa)

sábado, 8 de setembro de 2007

Aguardentes preferidas

A minha aguardente é a CRF – Carvalho, Ribeiro e Ferreira. Há qualquer coisa de rústico no sabor e de burguês na personalizada garrafa com lacre que me faz um fiel consumidor. Não sou grande apreciador de uísque nem mesmo de conhaque e gosto, principalmente ao fim de semana depois das refeições de uma boa aguardente portuguesa. Em substituição da CRF aceito uma Chancela de bom grado, mas tenho dificuldade em apreciar outras marcas. Ao invés dos vinhos, que vou mudando e experimentando, sou muito conservador quanto às aguardentes. Só concedo mudanças por oferta ou em dias festivos, em que prefiro Adega Velha, a rainha das nossas aguardentes, que merece ser guardada para os dias especiais, e muito boa também é a Ferreirinha. São as minhas preferidas. E porque hoje é Sábado, aqui vai uma, à saúde de todos!
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Raça

A nossa equipa de basquete consegue o milagre de ser apurada para a fase final de um campeonato da Europa e a selecção de râguebi consegue o inédito feito histórico de ser a única selecção amadora no campeonato do mundo em França. Isto acontece depois do mundial de atletismo e dos feitos de Nelson Évora e de Vanessa Fernandes. Temos razões para estar orgulhosos dos nossos desportistas. A vontade e a determinação vencem todas as dificuldades. O que seriam eles capazes de fazer com mais apoios e melhores condições? Nelson Évora referiu justamente "consistência". Certamente aconteceria com todas as modalidades aquilo que se passa com os nossos profissionais de futebol, que espalham a sua classe por esse mundo fora.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O Museu Berardo no CCB é obrigatório!

Até aqui era obrigatório visitar Serralves, o Museu do Chiado, o Museu de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e o Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva. Agora temos a colecção Berardo no CCB. É sem dúvida o melhor museu de Arte Moderna em Portugal, um grande museu em qualquer parte do mundo. Aconselho a compra do catálogo na recepção do museu, antes da visita.





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ver http://www.museuberardo.com/

terça-feira, 4 de setembro de 2007

BORDA D'ÁGUA 2008

Há um sítio lá em casa onde nós o guardamos.
Tem de estar à mão.
Ás vezes, se nos esquecemos, compramos dois do mesmo ano.
Quando nascemos já ele cá estava.
Faz parte de nós.
O de 2008 já saiu.
É o Verdadeiro Almanaque Borda d'Água.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

As férias a ler

Não saí de Lisboa. Tenho praias e campo aqui ao pé, para quê ralar-me? Fui só a Aveiro, onde comprei uns sapatos na Guimarães, aproveitando em caminho o Leitão da Bairrada e a Évora, onde almocei no Moínho. Vi filmes idiotas próprios da época (sim, confesso que não sou perfeito e fui ver o Ratatouille - adoro a Pixar - no original em língua inglesa com legendas, no Monumental), e aproveitei para ler várias coisas. Revi Eça de Queiroz (ver abaixo a nota final) em As Cidades e as Serras, A Relíquia e em edição dos Livros do Brasil, as Cartas de Paris. Há cem anos a vida era mais lenta e muito diferente da de hoje. Para mais, continuei a ler as Útimas Recordações de Alberto Bramão e, cúmulo de sorte, encontrei o Faúlhas dum lume vivo num alfarrabista, encadernado em muito bom estado, por apenas um euro e meio. Já tinha também o Recordações. Pouca gente conhece Alberto Bramão, mas eu acho que ele é, além de um bom poeta, um dos melhores “memorialistas” portugueses de sempre. Já inclui neste blogue um texto dele sobre Bulhão Pato e de vez em quando farei com que apareçam outras coisas.

Consolei a minha costela de ateu com 2 livros: The God Delusion de Richard Dawkins e The End of Faith de Sam Harris. Este último livro já o vi nas nossas livrarias em português. Reconheço que ainda só li cerca de 20% de cada um deles – gosto de ler assim, às dentadinhas, conforme me vai apetecendo e qualquer dia a mesa de cabeceira parte-se de tanto peso. É curioso, que sendo os dois autores, ateus, dão tanta importância às religiões que decidiram escrever estes livros - já conhecia o Richard Dawkins das Conferências TED (http://www.ted.com/) da net. Ambos pensam que se combatem os fundamentalismos religiosos, combatendo toda e qualquer religião. Talvez porque sou agnóstico, acho exagerado. Lembro aqui a frase do herético amigo de Alberto Bramão, o republicano Feio Terenas: “ Sou ateu e continuarei assim toda a vida, se Deus quiser.” [em Faúlhas de um lume vivo]. Um livro mesmo difícil que li, foi Mao - a história desconhecida de Jung Chang, a mesma autora de Cisnes Selvagens. É um relato terrível da governação chinesa de Mao, um balanço de 70 milhões de mortos em tempo de paz. Muito pior que o Gulag soviético. Quase 900 páginas de informação nua e crua. Um livro penoso de ler, que nos põe mal dispostos, mas que nos faz compreender a ditadura que mais gente matou, a mais sanguinária, do século passado. É um livro feito para que se saiba que aquele horror existiu. Li tudo de fio a pavio.

Fui só a um museu, ao CCB e fiquei fascinado com a Colecção Berardo. É magnífica, com grandes obras e grandes artistas. Obrigatório visitar. No entanto senti-me perdido mais de uma vez e com falta de informação. Alguma coisa ali está a falhar e não é por falta de pessoal, que é muito. É a minha opinião.

Reli parte de The Laundrymen de Jeffrey Robinson, um ensaio, clássico, sobre lavagem de dinheiro e comprei a nova edição de Portugal por Miguel Torga. Já tinha o livro editado pelo autor, mas agora as suas obras passaram para a Dom Quixote. É a vida. Li mais uns textos do meu herói, António José Saraiva, das Crónicas organizadas por Maria José Saraiva. Descobri uma pequena grande revista sobre ideias para negócios: chama-se Business 2.0, é americana e aprende-se imenso. A propósito ainda de revistas económicas, aconselho a Forbes de Setembro, com vários artigos sobre as empresas que hoje desenvolvem a energia solar e quanto a jornais, parabéns ao Diário Económico pelas entrevistas deste Agosto e ao Diário de Notícias pelos livros de bolso.

A propósito de livros de bolso, seria muito importante conseguir vulgarizar a leitura através de edições de livros de bolso ou “paperback”. Uma coisa que espanta o português que visita Londres, é ver nos comboios e no metro, nas paragens de autocarros, toda a gente, novos e velhos, a ler pequenos livros de bolso. Em Paris, o culto do livro é igual ou maior. Em Portugal, as grandes editoras privadas como a Bertrand não são obrigadas a apoiar o livro de bolso e são livres de terem a sua estratégia, mas será que o nosso Ministério da Cultura não poderia ter um programa para uma maior divulgação da literatura clássica portuguesa através de livros de bolso? Através do PNL-Plano Nacional de Leitura não caberia um projecto desse tipo? Se já existe ainda não dei por ele, mas não quero ser injusto e oxalá tenha bons resultados, até porque sobre a leitura, as escolas e os pais também têm grandes responsabilidades. Claro que falar de livros de bolso é quase só pensar na Europa-América, a grande percursora do género no nosso país, mas quero lembrar a colecção Ulisseia – Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses da Verbo, que está apoiada pelo Instituto Camões e pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro e talvez a colecção mais parecida com a colecção Penguin Popular Classics. Sobre os livros de bolso vale a pena ler o artigo no Ípsilon do Público de 31 de Agosto - e parabéns às novas colecções de bolso: a Booket da Dom Quixote, que já tinha a Biblioteca de Bolso Clássicos e a Biblioteca Independente – BI, uma "vaquinha" entre a Assírio e Alvim, a Relógio D’Água e a Cotovia.
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Durante este Agosto essencialmente li, li e li, suspendi o blogue, descansei e o tempo foi-se. A silly season acabou e para o próximo Natal já decidi: vou só oferecer livros (e discos) de autores portugueses.
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NOTA FINAL: foi lançado nos EUA, com enorme destaque no Book Review do New York Times deste fim de semana, uma nova tradução de Os Maias do Eça. O livro é apresentado como uma obra prima pouco conhecida do público anglo-saxónico, tem mais de 600 páginas e custa cerca de 18 dólares. A tradução, muito elogiada, é de Margaret Jull Costa e pasme-se, o NYT transcreve na íntegra o primeiro capítulo do livro. O artigo chama-se Lisbon Story e é assinado por Alan Riding, antigo correspondente cultural do NYT na Europa. É possível encontrar uma versão deste artigo no Herald Tribune do passado sábado. Perguntava ontem espantado um bloguista americano "What's all the fuss about a Portuguese writer from the 19th century?". Grande Eça.