quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O Terramoto de 1755 - Parte II - O fim de um mundo

Era o dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos. Importante dia religioso para os Católicos. Para mais tarde estavam marcados, como era habitual nesse dia, "Autos de Fé". As Igrejas estavam cheias para as missas das 9. A terra começou a tremer violentamente às 9.40 e durou 8 minutos e meio. Há descrições do chão formar ondas, como se de um mar se tratasse. O barulho era como um ronco, assustador e indescritível. Abriam-se grandes fendas e buracos no chão donde saiam gases e das derrocadas saiam poeiras. O ar estava escuro. Gritos por toda a parte. As águas do Tejo começam a recuar, cerca de uma centena de metros, mostrando o leito lodoso do rio. Muitas pessoas conseguem sair das pequenas ruas apertadas para o espaço livre do rio (o casario estava mesmo junto à margem). Alguns minutos depois surge uma onda gigante (de 5 a 10 metros) que tudo arrasa, desde a zona da Junqueira até à Baixa, passando por Alcantara. Na parte da tarde, tendo passado o grande terramoto e o tsunami, Lisboa era um gigante braseiro. O incêndio dura 6 dias. Conta-se que o vento também estaria incerto e agitado, o que terá dificultado a contenção do incêndio.

Pareceu que os 4 elementos, terra, água, ar-vento e fogo tinham sido combinados pelos Deuses de forma perfeita para destruir a cidade. Cerca de um terço da população de Lisboa pereceu (mais ou menos 80 mil pessoas). Uma parte tinha ficado soterrada dentro das próprias igrejas que desmoronaram.

Qual o significado deste terramoto? Será que Deus se quereria vingar dos pecados da cidade, como diziam os padres católicos ? Os iluministas não concordaram. Voltaire no seu famoso Poema Sobre o Desastre de Lisboa diz:
Que crime, que falta cometeram aquelas crianças esmagadas em sangue sobre o seio maternal? Teria Lisboa mais vícios que Londres ou que Paris?

Tal como temiam aqueles que durante o cataclismo se ajoelhavam pedindo perdão a Deus, julgando que vinha o fim do mundo, era de facto o fim de um mundo, para as inocentes vítimas e para o poder absoluto da Igreja Católica e do Santo Ofício [que tanto mal fez aos portugueses], que não mais voltaria a ter a mesma relevância em Portugal. Por decisão do Marquês de Pombal nunca mais se realizariam "Autos de Fé". Nenhuma religião, nenhum Deus, nenhuma ideologia política, nenhum dogma, princípio, valor ou fé se deve sobrepor à dignidade e aos direitos humanos.
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domingo, 28 de outubro de 2007

O Terramoto de 1755 - Parte I – Lisboa antes do Terramoto

Lisboa não foi sempre como é hoje. Foi uma cidade magnífica, pois tinha sido já o centro do comércio mundial, com uma burguesia rica, grandes casas apalaçadas, igrejas, conventos, casas reais, etc. Mas, qual Atlântida, a “velha Lisboa, a capital deste maravilhoso reino que assombrou o mundo, sumiu-se debaixo de um montão de ruínas e de cinzas. Da pavorosa catástrofe de 1755 apenas escapou o bairro mais sórdido: a parte mais nobre da cidade, os seus melhores edifícios desabaram e arderam (...) Das ruínas da velha capital surgiu outra cidade mais bela. O cataclismo foi o iniciador da restauração de Lisboa. As ruas tortuosas, os estreitos becos deram lugar a novas ruas alinhadas e espaçosas. Mas os edifícios não foram substituídos e os que se levantaram, em geral, foram muito inferiores na magnificência aos que desabaram.”
Em Lisboa, de Alfredo Mesquita, Ed. Arquimedes Livros
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E não se perderam apenas a grande maioria dos edifícios, grandes e pequenos, que ruiram ou ficaram sem condições para voltarem a ser habitados. Perderam-se obras de arte de grandes artistas, quadros, esculturas, riquezas em recheios de palácios, etc. Perderam-se documentos de valor histórico incalculável, como foi o caso dos documentos e dos mapas relativos à cartografia dos descobrimentos. Destruiu-se para sempre uma parte da nossa memória. No dia do terramoto, Lisboa era uma das principais cidades da Europa: tinha 250 mil habitantes, em tamanho era a quarta cidade europeia.
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Calcula-se a perda em cerca de 85% de todos os edifícios, incluindo 40 igrejas, 35 das quais caíu em cima dos crentes que enchiam os recintos durante a missa daquela hora. Das 20 mil casas da cidade só 3 mil escaparam em condições de serem habitadas. Só num dos vários palácios que ruiu, perderam-se 200 quadros de mestres famosos, como Rubens e Ticiano, uma biblioteca de 18 mil volumes e ainda mil manuscritos. A biblioteca real com 70 mil livros perdeu-se igualmente, bem como o tristemente célebre palácio da inquisição [no local onde hoje é o Teatro Nacional D. MariaII], a torre de São Roque, a igreja de São Paulo, a Catedral, a Ópera Real (acabada de construir), a igreja de São Nicolau, o Patriarcado, etc, etc.
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A Lisboa das descobertas e das especiarias, que vira partir as naus do Gama e as grandes armadas, nunca mais voltaria a ser como era antes do cataclismo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A obra de Mestre Júlio Resende no edifício da Alfândega do Porto

É a exposição de uma obra, de uma vida que completou 90 anos. Começa escura, triste, de traços marcados e desenvolve-se para uma exuberância quente, tropical, de cores vivas e de traços livres. De repente ficamos rodeados por uma criatividade sem limites geográficos ou temporais e por sensações. Obrigatório. Só até 4 de Novembro.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Memorabília: o single 45rpm da Canção de Madrugar por Hugo Maia de Loureiro


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Festival RTP da Canção, 1970. Canção de Madrugar, intérprete, Hugo Maia de Loureiro. A canção foi composta por Nuno Nazareth Fernandes e Ary dos Santos [o mais significativo da letra são as duas últimas palavras, uma crítica da guerra - estamos em plena guerra colonial] e obteve nesse ano a 2ª posição do Festival. O single tem a marca ZipZip, 3006/S. É uma raridade. O lado B dos mesmos autores é a Canção de Amanhecer.
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De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei
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Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
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Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
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Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei
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Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
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Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas
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E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis
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Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
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Então
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos nem guerras

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Camões III – Indomável e Apaixonado












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Um incorrigível rebelde, seria o mínimo que se poderia dizer de Camões. Era o tipo de pessoa capaz de “partir a loiça toda”. Há pouca documentação sobre a sua vida e até o ano do seu nascimento é incerto (talvez 1524). Recentemente Hermano Saraiva surgiu com uma nova tese: Luís de Camões afinal não seria um fidalgo da corte mas apenas escudeiro do conde de Linhares, comendador da Ordem de Cristo, e viveu no paço da Comenda de S. Martinho, frente a Coimbra. Quando Linhares (seu amo), foi enviado para Paris como embaixador, Camões e a mulher do conde tiveram...um "caso" (Camões passou uma vida a arranjar sarilhos...). Diz Camões:
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"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"

Não se conseguiu aguentar em Lisboa a fazer uma vida normal. É apontado como sujeito corajoso mas zaragateiro: fica alcunhado como o Trinca-Fortes. Em consequência das suas aventuras é desterrado em 1548 para o Ribatejo, onde os amigos o conseguem sustentar por seis meses. Decide integrar-se na vida militar. Vai para Ceuta no Outono de 1549, onde perde o olho direito numa escaramuça contra os mouros. Em 1551, volta a Lisboa e logo no ano seguinte, no Largo do Rossio, dois mascarados lutam com Gaspar Borges, funcionário da Cavalariça Real. Camões aproxima-se, reconhece os mascarados: são amigos seus. Não hesita, mete a mão no bolso e com a sua faca dá um golpe no pescoço do adversário. É preso e levado para a cadeia...só graças aos insistentes pedidos e diligências da mãe é que consegue sair da prisão passados 9 meses, com duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis e depois, embarcar para a Índia e servir por três anos como militar no Oriente.
Ver http://www.vidaslusofonas.pt/luis_de_camoes.htm
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E é toda uma vida assim, entre as paixões, as rixas, as ajudas dos amigos e a poesia. A sua lírica contém da mais terna poesia de amor em língua portuguesa, como quando do naufrágio junto ao rio Mecom (vinha de Macau para Goa) no Camboja, onde conseguiu salvar o manuscrito dos Lusíadas (ver canto X, 128), mas perdeu a sua amada, a companheira chinesa Dinamene:
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Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
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Ou naqueles versos quase ridículos [mas quem sou eu para dizer isto do nosso poeta maior] sobre Leonor, em que o ritmo procura mimetizar o movimento gracioso e as cores são usadas para embelezar a figura:
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Descalça vai para a fonte
Leonor, pela verdura;
vai formosa e não segura.
Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
sainho de chamalote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai formosa e não segura.
Descobre a touca a garganta,
cabelos de ouro o trançado,
fita de cor de encarnado…
tão linda que o mundo espanta!
chove nela graça tanta
que dá graça à formosura;
vai formosa, e não segura.
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Que cruelmente António Gedeão gozou com muita piada em:
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Voando vai para a praia
Leonor na estrada preta.
Vai na brasa, de lambreta,
etc.

Mas enquanto Rómulo de Carvalho - António Gedeão era um homem da ciência, um alquimista moderno, Camões foi um eterno apaixonado por todas as Leonores deste mundo.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Camões II - Sir Richard Francis Burton

Sir Richard Francis Burton foi um inglês do século XIX (1821-1890), ainda pouco conhecido entre nós, portugueses. É muito dificil descrever este homem, porque teve uma vida quase inimaginável. Burton foi um prolífico escritor (publicou várias dezenas de títulos), foi tradutor e o primeiro a traduzir obras como As Mil e Uma Noites e o Kama Sutra para uma língua ocidental. Burton era um linguista e dominava 29 idiomas. Foi orientalista e etnologista, co-fundador com James Hunt da Sociedade de Antropologia de Londres. Era um intelectual de formação. Foi militar e espião, que disfarçado de muçulmano visitou Meca e Medina (local proibido para os não muçulmanos) e fez por completo todos os rituais da Hajj (por influência dessa viagem, há quem esteja convencido que no fim da sua vida Burton se considerava maometano). Foi um grande viajante, tendo escrito importantes livros com observações dessas viagens: a Salt Lake City, a cidade dos Mormons; ao Daomé, ao Paraguai, etc. Foi um famoso explorador tendo descoberto o lago Tanganica, sendo o seu ajudante Speke mais conhecido, por ter descoberto o lago Vitória, nascente do Nilo (quando Burton adoeceu durante uma expedição). Foi ainda diplomata em sítios tão distantes como Damasco, Fernando Pó, Triestre ou em Santos, no Brasil. A lenda diz ter sido um feroz duelista. Foi hipnotizador, foi poeta, etc. É impossível num pequeno artigo descrever todas as suas ocupações.

Existem várias biografias sobre Sir Richard Francis Burton. Custa a acreditar como se pode fazer tanta coisa numa vida só. Burton apesar de ter sido um aventureiro, um dos maiores de sempre, tinha um grande herói: Luis de Camões, a quem dedicou muito da sua atenção. Traduziu para inglês Os Lusíadas e a Lírica de Camões e escreveu uma biografia do nosso poeta maior. Chamava-lhe "o meu mestre".

Sir Richard Francis Burton considerou Camões como um modelo a seguir, pelas suas viagens, amor ao seu país, erudição, rebeldia e até pelas aventuras românticas.
Fora de Portugal, terá sido, talvez, o maior admirador de sempre de Luis de Camões.
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Para quem estiver interessado numa informação mais completa sobre Burton, ver por exemplo em http://www.britannica.com/eb/article-975/Sir-Richard-Burton ou claro, na Wikipedia em http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Francis_Burton. Pode-se efectuar um download gratuito de uma das mais importantes biografias de Burton em http://www.gutenberg.org/etext/4315

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Camões I - Pela Mudança



O episódio do Velho do Restelo dos Lusíadas, retrata a opinião dos pessimistas, dos que se opõem a que se corram riscos e se tenham custos com iniciativas incertas, e apelam aos nossos medos inatos do desconhecido. Há quem diga que este episódio seria o anti-Lusíadas-dentro-dos-Lusíadas, a verdadeira opinião de Camões, mas de facto, ele aparece no poema épico para reforçar o apoio à decisão de empreender a viagem de Vasco da Gama, apesar de todas dificuldades.
Luis Vaz de Camões era um renascentista, um fervoroso adepto das coisas novas e não um imobilista como o Velho do Restelo (tão claramente expresso por exemplo no seu soneto, popularizado por José Mário Branco, “Muda-se o Tempo, Mudam-se as Vontades” ).
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Diz Camões em ““Muda-se o Tempo, Mudam-se as Vontades”:

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas da lembrança,
e do bem (se algum houve) as saudades.

Camões observa que as novidades são coisas diferentes daquilo que estamos à espera e põe mesmo em dúvida, se houve alguma coisa boa no passado. Esta é a sua verdadeira opinião, enquanto que nos Lusíadas, coloca o velho a protestar, na praia do Restelo, durante a partida das caravelas de Vasco da Gama:

-"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!
Ó fraudulento gosto que se atiça
Cua aura popular que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldade neles experimentas!

(...)

"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo d’algum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

(...)

"Oh! Maldito o primeiro que no mundo
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno de eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho
Te dê por isso fama nem memória,

Mas contigo se acabe o nome e glória!

O Velho do Restelo prefere a segurança ao perigo, a proximidade do que conhece à distância do desconhecido e amaldiçoa quem inventou os barcos à vela. Para ele, a riqueza e a fama não compensam os riscos. O oposto ao pensamento do nosso poeta maior, um espírito aventureiro e destemido, que anseia pelas novidades do tempo futuro.
Pode fazer download da obra de Camões com facilidade. Ver por exemplo http://www.secrel.com.br/jpoesia/camoes.html . Está muito bem organizado.

sábado, 13 de outubro de 2007

Fátima e o Islão

Há muitas e muitas lendas de moiras na nossa terra, bonitas e encantadas, desde as amendoeiras em flor no Algarve até Alfátima na Serra da Estrela. Fátima, Fátema ou Fatma foi a filha preferida do Profeta Maomé, é um nome muito comum entre as mulheres muçulmanas [e após as aparições também entre portuguesas e brasileiras]. Os califas Fatímidas, orgulhavam-se de descender de Fátima.

Há mesmo o livro de Moisés Espírito Santo, Os Mouros Fatímidas e as Aparições de Fátima onde se “afirma que a região portuguesa de Fátima e os seus arredores está impregnada, no inconsciente colectivo, por uma cultura herdada do tempo da facção Fatimida dos Mouros, que, na época da ocupação árabe, relatavam a visão de uma senhora de luz que consideravam ser Fátima, a filha de Muhammad”, segundo a Wikipedia.

Sobre a povoação de Fátima, local onde se deram as aparições, conta-se que Fátima era uma linda moira filha do emir de Álcacer do Sal, por quem um cavaleiro português, do tempo de Afonso Henriques se apaixonou e casou. O local para onde os esposos foram viver acabou com o tempo por adoptar o nome de Fátima que faleceu ainda nova.

Mas a ligação de Fátima ao Islão é também pela via de Maria, mãe de Jesus (considerado pelo Corão, um profeta). Os muçulmanos veneram Maria, mãe de Jesus. De todas as mulheres mencionadas no Corão, Maria é a que mais vezes é mencionada. Maria é uma das oito pessoas que dá o seu nome a um dos 114 capítulos do Corão. Seu pai Imran tem direito a outro capítulo. A história de Maria no Corão começa ainda antes de nascer quando se encontra no útero de sua mãe. (ver http://www.islamfortoday.com/galvan03.htm )

Quando a estátua de Nossa Senhora de Fátima foi transportada através de zonas muçulmanas de África e Índia, centenas de milhares de muçulmanos apareceram. Em dois dias, meio milhão de muçulmanos vieram prestar as suas homenagens a esta estátua em Bombaim, Índia”. (Em “A Woman Rides the Beast” de Dave Hunt, p. 458)
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E por coincidência: a nova igreja do Santuário de Fátima, a gigantesca Igreja da Santíssima Trindade, uma das maiores do mundo, foi inaugurada a 12 de Outubro de 2007, exactamente no fim do Ramadão, primeiro dia do Id al-Fitr, a festa do fim do jejum. Salam.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O e-gov e o e-cidadão III - A morte do papão Orwelliano

Há toda uma geração que cresceu mais ou menos influenciada pelo livro “1984” de George Orwell. Um livro muito popular há 30 ou 40 anos. O livro retratava uma sociedade tecnicamente avançada, mas totalitária em absoluto: não era apenas a ditadura política, mas o verdadeiro totalitarismo, quando o estado consegue comandar não só a vida social mas também a vida particular e até os pensamentos de cada um, através de uma intromissão permanente. A frase “Big Brother is watching you” ficou célebre.

O livro foi publicado em 1949, após a queda dos fascismos alemão e italiano mas em plena ascensão do bloco comunista. Os países democráticos eram minoritários no mundo e Orwell detestava o Stalinismo russo.
Hoje o livro passou de moda porque perdeu actualidade. O bloco comunista ruiu. Os países democráticos estão em maioria e a informação circula com uma facilidade impensável antes.

Agora todos comunicam com todos e já se percebeu (penso eu) que a era digital é como um comboio em marcha que não podemos perder. E o papão Orwelliano ficará morto e enterrado, preso aos fantasmas do seu tempo.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O e-gov e o e-cidadão II – Um pequeno aparelho electrónico seria suficiente


Aquele pequeno aparelho telefónico que trazemos no bolso que chamamos telemóvel, já inclui ou pode incluir muitas funcionalidades como por exemplo:
- Televisão; rádio; leitor e gravador de mp3; câmara de vídeo; máquina fotográfica; pda e agenda; pc pessoal; internet; email; Memória USB Flash Drive; gps; localizador; controlo remoto de múltiplas funções e claro...telefone e SMS.

Mas mais importante que as capacidades tecnológicas do pequeno aparelho serão os multiplos serviços que poderá englobar: coisas como telecompras ou a telemedicina, a teleadvocacia, o televoto, a telesegurança e a televigilância, a tele loja do cidadão ou a tele-qualquer-coisa-que imaginarmos, á distância de uma simples ligação.

Tudo num pequeno aparelho. E para quê ter na nossa carteira os cartões legais como o Bilhete de Identidade, o Cartão de Eleitor, o Cartão da Segurança Social, o Cartão do Centro de Saúde, o Cartão Europeu de Seguro de Doença, a Carta de Condução, o Cartão do Número de Contribuinte, os documentos do carro e os cartões bancários de débito e de crédito e ainda os cartões de fidelização e de conveniência? Para quê uma carteira cheia com papéis, notas, cartões e moedas?
Para quê? Numa época em que toda esta informação e muito mais pode ser armazenada com facilidade numa “Memória USB Flash Drive”, para quê tanta complicação? Um telemóvel fácilmente incluiria esta funcionalidade.
E para quê dinheiro e assaltos e multibancos carregados de notas ? O dinheiro poderia ser todo de plástico ou...passar para o telemóvel...sem numerário seria mais difícil a fuga aos impostos, por exemplo.
Para quê chaves do carro e de casa quando um telemóvel pode servir de telecomando com código?

Tudo é possível. Tudo está por fazer. Com os necessários automatismos a própria máquina do estado será muito mais eficiente e eficaz.
Um notável exemplo já a funcionar: já experimentaram tirar o passaporte na loja do cidadão? Creio que está de parabéns o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que disponibiliza o novo Passaporte Electrónico Português (PEP). A era digital está aí para tornar a vida mais fácil para todos.

domingo, 7 de outubro de 2007

O e-gov e o e-cidadão I – Políticas activas para inclusão na Sociedade Digital


Cada vez mais assume importância fundamental integrar os cidadãos nas redes dos sistemas digitais de informação, computadores e internet (1), porque são instrumentos básicos indispensáveis para a nossa vida presente e futura.

Dizia Medina Carreira numa entrevista da passada semana a Mário Crespo do Jornal das 9 da Sic Notícias [a propósito de um livro seu que vou - e aconselho - comprar], que 80% dos computadores distribuídos pelo governo iriam servir para "jogos e internet".

Concordo com muitas das opiniões que Medina Carreira expressa, mas não concordo que se conteste a distribuição destes computadores: "jogos e internet" são etapas comuns a todos os jovens que se iniciam na informática. Não conheço ninguém que não tenha passado por isso, a não ser alguma gente muito mais velha, que apanhou a revolução trazida pelo PC pessoal [nos longínquos anos 80] a meio da sua vida adulta, e talvez por isso não aprendeu ou não gostou de lidar com o computador como um meio de lazer e de comunicação (2). Neste aspecto Medina Carreira está enganado e o governo tem toda a razão [bem sei que não "cai bem" elogiar governos, mas se queremos ser sérios, temos de ser justos e equilibrados e saber elogiar o que deve ser elogiado].

O governo deve prosseguir com as actuais políticas activas de inclusão dos cidadãos nos sistemas digitais e nas tecnologias de informação, que muito bem iniciou. Este é um dos caminhos que precisamos de trilhar. Marginalmente, talvez apenas com menos propaganda de gosto discutível.

(1) Parece-me desajustado continuarmos a falar hoje da informática como sendo “novas tecnologias”. O meu primeiro pc, um Sinclair ZX81 - foi comprado no Natal, adivinhem, de 1981. Foi há mais de 25 anos!
(2) A dinâmica dos utilizadores está a gerar elevados graus de interactividade que estão a transformar a internet e os seus serviços, como é exemplo maior o caso da Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/).

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Moçambique segue em frente






Nos últimos anos, Moçambique tem vindo a conseguir um significativo progresso económico e social. O país está neste momento a ser elogiado através de uma campanha do Banco Mundial que esclarece no seu sítio:
Desde que a devastadora guerra civil terminou em 1992, o país tem apresentado um crescimento económico de 8% [de 1996 a 2006]. Por isso o número de pobres caiu 15% entre 1997 e 2003, libertando quase 3 milhões de pessoas da pobreza extrema - de um total de 20 milhões de habitantes [e um território 10 vezes maior que o de Portugal continental]. Na perspectiva do desenvolvimento humano, significou uma diminuição de 35% na mortalidade infantil de crianças com menos de 5 anos e um aumento em 65% na frequência do ensino primário.











quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Ainda sobre as regiões e a propósito de um mapa de França no FT

O Financial Times publicou hoje um mapa de França com os 71 locais onde se encontram instalados os clusters franceses. Não são atrasados “parques industriais” à portuguesa, mas verdadeiros “polos de competitividade” integrando verticalmente diversos sectores: universidades, pesquisa e desenvolvimento, indústria e serviços. Há clusters que se dedicam à cosmética, outros à indústria aeroespacial, outros à indústria farmacêutica, etc. Ver informação completa em http://www.competitivite.gouv.fr/

Estes polos têm sido um sucesso. Para a sua constituição contribuiram as políticas económicas das regiões francesas, que escolheram especializar-se e também os investimentos realizados que possibilitaram gerar vantagens comparativas significativas para atrair massa cinzenta e sector privado.

Juntamos em anexo o mapa de Portugal para podermos comparar as dimensões entre os países e entre as regiões e também para nos fazer pensar em como organizar algo de parecido. Para nos desenvolvermos precisamos de criar regiões com dimensão e massa crítica suficiente para lançar políticas destas. Não vejo alternativa.

Ver neste blogue sobre o tema da regionalização


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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Também na publicidade o que é nacional é bom

Na publicidade também resulta a utilização de símbolos nacionais para chamar a atenção. Temos dois exemplos recentes. O primeiro, utiliza a Torre de Belém como imagem para o Forum de Energia de Lisboa, uma conferência internacional apoiada pela Fundação Mário Soares e pela Galp Energia, acrescentando a Torre de Belém a uma plataforma petrolífera. Acho a ideia muito conseguida.
O segundo, tenta “colar” os CTT, em particular o seu serviço Expresso, à imagem de determinação de Francis Obikwelo [Atleta Europeu do Ano] e em simultâneo à velocidade, tentando um dois em um que sai algo confuso na mensagem, mas que acaba por “ser salva” e resultar devido à excelente fotografia.
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