domingo, 24 de outubro de 2010

A TAP Portugal nos aeroportos de São Paulo e do Rio de Janeiro

Um grande trabalho do departamento de marketing da TAP nos aeroportos do Rio e de São Paulo. FlyTAP!

RIO DE JANEIRO - AEROPORTO DO GALEÃO, 20/01/2010
[Homenagem ao Rio]

SÃO PAULO - AEROPORTO DE GUARULHOS, 25/01/2010 
[Homenagem cosmopolita]

sábado, 23 de outubro de 2010

Uma história para “Ser Poeta” de Florbela Espanca

Um dia, em 1923, uma grande poetisa portuguesa encontra num almanaque um poema que desperta a sua atenção “Ser poeta”. Era um soneto assinado por um brasileiro, o sr. Romualdo Pessoa. O nome não lhe dizia nada. Provavelmente era uma pessoa sem pergaminhos intelectuais e apenas um simples curioso, colaborador do almanaque.

Ser poeta (de Romualdo Pessoa)

Ser poeta é se sentir de quando em quando,
O coração vibrar em cada verso...
E ver em tudo uma ilusão cantando,
Ora num ditirambo, ora num terso.

Ser poeta é se possuir n’ alma, o disperso
Bando das rimas, sempre soluçando...
É ter por pátria apenas o Universo,
Qual uma estrela pelo azul marchando.

Deus, ao tirar o céu da treva densa,
Também construiu a terra imensa e bela...
E, enfim, querendo a génesis completa,

Fez, para iluminar essa obra imensa,
Lá no infinito – a rutilante estrela...
E cá na terra – o coração do poeta!
                                                                                                                                         
[De Romualdo Pessoa (Paraíba do Norte, Brasil), em “Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro”, edição da Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1923.]

Ao lê-lo, Florbela Espanca não pode deixar de discordar imediatamente. Também achou o soneto mal feito, atrapalhado e sem fluidez. Aquele título merecia melhor poesia. E para que não houvesse dúvidas para futuras comparações, começaria pelas mesmas palavras “Ser poeta é”.

Ser poeta (de Florbela Espanca)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

[Florbela Espanca, em “Charneca em Flor”, publicado pela Livraria Gonçalves de Coimbra em 1931, já depois do seu prematuro falecimento, mas ao que parece [ver em prahoje/florbela], o livro poderia já estar concluído três anos antes, em 1927.]


1ª estrofe:

Enquanto que Romualdo afirma que ser poeta é algo de relativo (“sentir de quando em quando” e “ver em tudo uma ilusão cantando”), Florbela afirma que ser poeta é algo de superlativo (“é ser mais alto, é ser maior”).

2ª estrofe:

Romualdo explica a inconstância do poeta, por ele estar perdido e confuso (“possuir n’alma, disperso” e “estrela pelo azul marchando”), Florbela justifica-a antes pela personalidade ardente e ansiosa (“mil desejos” e “ter garras e asas de condor”).

3ª e 4ª estrofes:

As  ideias expressas nas últimas duas estrofes por Romualdo Pessoa e Florbela Espanca, em jeito de conclusão, acabam por ser as mais marcantes do soneto que cada um escreveu para explicar essa criatura, o poeta: Romualdo atribui uma origem divina ao poeta e consequentemente à poesia (“Deus...fez...o coração do poeta!”), Florbela atribui essa origem a um sentimento bem mais terreno, o amor (“amar-te, assim, perdidamente...”).

Não sei se Florbela alguma vez leu o poema do sr. Romualdo Pessoa. A história foi por mim inventada. Mas parece-me bastante verosímil. 

sábado, 16 de outubro de 2010

São Francisco de Assis e os Descobrimentos Portugueses


É um texto de Jaime Cortesão que dá que pensar. Sempre se ensinaram e aprenderam as causas dos descobrimentos de uma forma quase mecânica. A expansão da fé, as técnicas de marear,  o desenvolvimento do comércio. Mas é uma explicação que não explica tudo. Como se sai de uma sociedade opressiva e fechada para a aventura das descobertas e como nasce e se desenvolve o novo quadro mental necessário a toda a mudança de vontades e atitudes, são questões que ficam por responder.  
Escreve Cortesão em “Influência dos Descobrimentos Portugueses na História da Civilização” (1932):
Mas a esse ambiente [medieval] pessimista, que encarava a vida como um mal e a Natureza com terror, sucedeu um estado de espírito, ao contrário, otimista, entusiástico, solicitante em alto grau de energias. Que prodígio e que forças operaram a radical transformação? Ela deve-se, a nosso ver, em primeiro lugar, ao novo espírito religioso representado pelo franciscanismo e à sua imensa difusão, favorecida pela organização da Ordem fundada pelo Santo de Assis.
E Cortesão vai a seguir recuperar um texto escrito por si anteriormente:
“Em sua lógica travada, o predomínio dos franciscanos entre o clero secular e religioso nos últimos séculos da Idade Média e a inegualada eficácia do seu apostolado em todas as classes sociais; o sincronismo da sua influência nas artes e da transformação naturalista por eles iniciada na literatura geográfica; o vasto e simultâneo desenvolvimento da sua penetração na Ásia, na África e nos arquipélagos atlânticos; e, por fim, o paralelismo da sua difusão com os sucessivos progressos das navegações dos portugueses e os primeiros descobrimentos dos castelhanos, convencem-nos de que eles foram os principais criadores da mística dos Descobrimentos. Aproximando o homem da Natureza e substituindo um ideal contemplativo e de aspirações extra-terrenas por um cristianismo amorável e pragmático, o franciscanismo dissipou a sombra de maldição e terror que pesava sobre a Vida e sobre a Terra, e abriu caminhos à marcha do homem no planeta.”
E é claro que fui á procura de textos sobre essa nova atitude de “aproximação do homem pela natureza” preconizada por São Francisco. Penso que o seu “Cântico das Criaturas”, que se encontra em http://www.capuchinhos.org [um sítio muito bem feito] é um excelente exemplo:

Cântico das Criaturas
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória,
a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante,
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno,
e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles
que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar.
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles
que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade.
Para mal dos meus pecados, não sou cristão, nem sequer acredito na existência de Deus e talvez por isso a influência do Santo no ideário mental medieval me tenha passado desapercebida. Quis saber mais sobre São Francisco de Assis. Talvez nalgum livro de história da filosofia pudesse ler algo. Na FNAC procurei nos livros de filosofia. A história da filosofia era contada dos gregos até à atualidade em livros franceses, ingleses e portugueses, mas não encontrei nenhuma referência a São Francisco. Se calhar tive azar, mas só nos meus velhos livros de textos do liceu, de Joel Serrão, “Iniciação ao Filosofar”, encontrei finalmente “De como, indo de caminho S. Francisco e Frei Leão, ele lhe falou das coisas que são a perfeita alegria”. E mais um bocadinho me foi revelado. Era um Santo bem disposto e alegre. Pesquisando na rede [ver por exemplo sfdeaassis], lemos que é o Santo Patrono dos animais e do ambiente e que nasceu em 1181 e faleceu em 1226, com apenas 45 anos. Dois anos mais tarde, era declarado Santo pelo Papa. Segundo Jaime Cortesão, alterou de tal forma o quadro mental medievo, que haveria de tornar possível a epopeia dos Descobrimentos.
--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--

domingo, 10 de outubro de 2010

A inflação na Primeira República








































Em Revista Portuguesa ABC, 5 de Maio de 1921







. . 
--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--

sábado, 2 de outubro de 2010

“Boa definição” de Cornélio Pires

Do livro “Patacoadas” de Cornélio Pires, edição da Companhia Editora Nacional de São Paulo.

O livro que tenho é já a quarta edição (22º milheiro) da edição brasileira de 1929. O número de exemplares do livro é extraordinariamente alto para a época. Aliás Cornélio Pires, mais que um humorista, e é notável este livro, é uma importante figura da cultura brasileira da primeira metade do século vinte. Para ter uma ideia, ver por exemplo na wikipedia, os sítios brasileiros boamusicaricardinho ou aprovincia que realçam a importância de Cornélio Pires para a divulgação da música e da cultura caipira, ou ainda pcastro, acerca do museu de Tietê - município do Estado de São Paulo - terra natal de Cornélio Pires.

BOA DEFINIÇÃO

Tanto se falou em Socialismo, ao ruir dos tronos na Europa, que a palavra chegou aos ouvidos caipiras.
O Ponciano encontrando-se com o Juvêncio, perguntou-lhe:
- Compadre: tive na Vila e vi uns home falano de Suçalismo... o que é que vem a sê isso?
- É ua moda nova de vivê que tão inventano... muito bão!
- Como é?
- Vacê qué vê o que é Suçalismo? – Meu cachimbo tá vasiu e eu num tenho fumo... Vacê tem um tostão aí?
- Tenho.
- Vacê me dá o tostão, eu compro o fumo, encho o cachimbo, e vô sô esfumaceano...
- Uéi! Eu dei o tostão... vacê pita(*)... e eu o que é que faço?
- Mecê góspe... isso que é Suçalismo...(**)


(*) No Glossário Sertanejo em violatropeira, “pito” é cachimbo. O verbo “pitar” deverá significar “fumar cachimbo”.

(**) Claro que incluí este artigo no meu blogue, a pensar não só na figura de Cornélio Pires, mas também na deplorável situação económica e política do país, e em alguns dos meus familiares e bons amigos, que apesar de - na minha opinião - todas as evidências em contrário, ainda nutrem simpatias pelo ideário socialista de várias tonalidades. 

--Este artigo foi escrito em conformidade com o novo acordo ortográfico (com a ajuda dos programas Word e Flip)--