sábado, 20 de novembro de 2010

Almanaques e Almanaque Bertrand

Não sou colecionador de livros, mas tenho tido a sorte de poder adquirir a baixo preço alguns almanaques antigos. A minha felicidade, é que o livro usado é ainda pouco procurado em Portugal, permitindo-me constituir uma pequena biblioteca generalista, a preços relativamente acessíveis.
Um dos livros, porque é de livros que se trata, que folheio com mais prazer, são os velhos almanaques, e destes, sem dúvida que as edições do Almanaque Bertrand(*) são as minhas preferidas.
No início do século vinte, as capas eram espetaculares com desenhos lindíssimos. 



















As pombas que simbolizavam a paz e os temas nacionalistas, dominaram algumas capas dos anos 30 e 40.




















Mas o almanaque mais querido para mim, é um antigo Almanaque Enciclopédico de 1896 com prefácio do Eça, do qual já incluí neste blogue um pequeno texto.







































Neste almanaque encontram-se dicas sobre como constituir uma biblioteca básica e sugere-se uma reduzida lista de livros portugueses:







































Todos estes livros estão disponíveis a preços módicos nos nossos alfarrabistas, e poderão ser encomendados via internet. Porque não dar a si mesmo e aos seus familiares uma prenda de Natal com livros de autores portugueses?

(*) Dos velhos almanaques que chegaram às minhas mãos, devo referir ainda o Almanaque de Santo António, o Almanaque Diário de Notícias e o Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro.

domingo, 14 de novembro de 2010

O TEDxLisboa com António Barreto – “Números e Ideias" e uma pequena reflexão

O PORDATA e a coleção de pequenos livros de ensaios a preços acessíveis, são duas grandes iniciativas da Fundação Francisco Manuel dos Santos, patrocinada pela família de Francisco Manuel dos Santos, proprietária do Grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova, Biedronka na Polónia, etc.). António Barreto é o Presidente do Conselho de Administração da FFMS.

O TED é uma pequena organização sem fins lucrativos dedicada a “Ideias Que Mereçam Divulgação”. Começou em 1984 como uma conferência que juntava pessoas de três origens: tecnologia, entretenimento e design. Desde então os temas tratados alargaram-se a outras áreas. Realizam-se duas conferências anuais nos EUA durante a Primavera, uma em Long Beach e outra em Palm Springs na Califórnia, e uma conferência TEDGlobal no Verão, em Oxford no Reino Unido.

O TEDx é um programa concebido para dar às comunidades, organizações e indivíduos, oportunidade de estimularem o diálogo através de experiências do tipo TED, a nível local. O TEDxLisboa realizou-se no passado dia 20 de Setembro e contou com a participação, entre outros, de António Barreto da FFMS.


Esta apresentação de António Barreto, remeteu-me para um gráfico apresentado no colóquio Dívida Pública - Causas, Consequências e Perspectivas de Evolução, organizado pela Comissão de Orçamento e Financas da Assembleia da República, no dia 19 de Outubro. Para mim, uma das melhores discussões realizadas sobre economia portuguesa nos últimos anos. O gráfico, da Dívida Pública em % do PIB, foi apresentado por Carlos Fonseca Marinheiro da UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental, Universidade de Coimbra [Os períodos históricos fui eu que introduzi, para facilitar a leitura].


Só na ditadura Salazarista de 1926 a 1974, a dívida pública portuguesa é controlada. Nos períodos mais ou menos democráticos, Monarquia Liberal, Primeira República e Pós-25 de Abril, o país parece ser governado por políticos economicamente incapazes que comprometem a soberania do país. Dizia a revista LIFE em 11 de Agosto de 1947 num artigo sobre Portugal, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial: ”Hoje o escudo português e o franco suíço, são as moedas mais fortes da Europa”.

Como diz António Barreto, os números são factos indesmentíveis, a interpretação dos mesmos, é que nos coloca no campo das ideias e essas é que valem a pena debater. Por isso, cito na mesma revista LIFE, um outro artigo publicado sete anos antes, em 29 de Julho de 1940, que dizia ser a população portuguesa “terrivelmente pobre”: “70% da população é ainda iletrada. As pessoas comuns vivem de peixe, pão e vinho e dois terços andam descalços”. Era quanto custava a vida nesses tempos. Quem os viveu e ainda está vivo, lembra-se.

Será que estamos condenados a ser governados em ditadura, ou se em democracia, por demagogos irresponsáveis? Faltam-nos políticos democráticos que denunciem o discurso da facilidade, tenham os pés na terra e se comportem como líderes de um progresso com bases sólidas, promovendo o trabalho, o estudo, a poupança, os valores da responsabilidade, capazes de dar exemplos de frugalidade para si e para os seus governos e administrações.

António Barreto compara os números com as fotografias. Estas velhas fotos dos anos 40 e 50, são imagens que podem hoje parecer apenas românticas, mas são dum passado a que não queremos voltar, que há que lembrar e compreender.




























































































































































domingo, 7 de novembro de 2010

A Magna Tuna Cartola da Universidade de Aveiro

Uma pedra preciosa dos nossos estudantes. Foi no V Festival Internacional de Tunas em Castelo Branco.


Ver no YouTube os outros vídeos da Magna Tuna Cartola em MTC e o divertido sítio da Tuna em http://www.magnatunacartola.net/, onde, se não tiver juízo, pode gastar todo o dinheiro que tem do décimo quarto mês ou pedir emprestado ao banco, para oferecer como prenda de Natal, o DVD MTC. É melhor que muitas FNACs e serve para apoiar a rapaziada.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Irmandade do Talismã de Clifford D. Simak

Imagem de www.projectofarol.com
Simak [Clifford Donald Simak, escritor americano, 1904-1988] foi um dos grandes autores de ficção científica do século passado. Tal como com outros escritores do género, incluem-se algumas das suas obras no subgénero “fantasia”, das quais uma das minhas preferidas é a Irmandade do Talismã - The Fellowship of the Talisman – publicada no original em 1978 [editada em português pelos Livros do Brasil, Coleção Argonauta, nº 274]. É uma saga contra as forças do Mal, lembrando as cenas de ação de O Senhor dos Anéis de Tolkien.

Em A Irmandade do Talismã, estamos em pleno século vinte, mas ainda se vive com o nível tecnológico da Idade Média, porque ao longo da História, as hordas do Mal, sempre que a humanidade em qualquer local do globo estivesse prestes a conseguir algum importante desenvolvimento civilizacional, reuniam as suas criaturas maléficas e dizimavam povos e nações, impedindo o progresso.

Simak dá como principal exemplo dessa atividade, para abortar toda e qualquer tentativa de avanço humano, o seguinte:
“No século quinze, quando os Lusitanos adotaram uma política calculada para quebrar esse torpor, atravessando os oceanos do mundo para descobrir terras desconhecidas, o Mal irrompeu de novo na Península Ibérica, todos os planos foram postos de parte e esquecidos, a Península foi devastada e o terror espalhou-se pela Terra.”