terça-feira, 26 de junho de 2012

Queremos que Portugal siga o modelo escandinavo? Vejamos o exemplo da Dinamarca.

Reino da Dinamarca
Quem sonha com um estado social “escandinavo”, não deveria nunca omitir que o nosso futuro coletivo depende da nossa capacidade de termos empresas competitivas para os mercados interno e externo. Olhem por exemplo para a pequena Dinamarca, com apenas 5,5 milhões de habitantes, e percorram esta lista de algumas empresas dinamarquesas de A a Z: 

 A.P. Moller – Maersk Group (a maior companhia de navios de carga de contentores do mundo)
Arla Foods (a sétima companhia de derivados do leite do mundo)
Bang & Olufsen (líderes mundiais da eletrónica de luxo)  
Bestseller (cadeia de 5.700 lojas de roupa em 43 países)
COWI (empresa de consultadoria, que já esteve envolvida em 50.000 projectos de 173 países -  conta com mais de 6.000 empregados altamente qualificados)
Carlsberg (palavras para quê?)
Coloplast (dispositivos médicos para 53 países com 7.500 empregados)
Danfoss (um gigante mundial da refrigeração e do ar condicionado com 22.500 empregados)  
Danish Crown AmbA (a maior companhia da Europa de carne de porco enlatada)
DSV (serviços de transporte, estão em 60 países e têm 21.000 empregados)
Ecco (gigante mundial do calçado com 17.500 empregados)
FLSmidth (cimenteira, 40 países, mais de 11.000 empregados)
Group 4 Securicor (a maior companhia de segurança do mundo, 125 países, 630.000 empregados)
Grundfos (gigante mundial no fabrico de bombas de água e de ar, 18.000 empregados)
ReSound (aparelhos auditivos distribuídos em 80 países)
Lundbeck (multinacional farmacêutica em 100 países)
ISS (serviços domésticos de limpeza,  cathering, etc, 50 países, 530.000 empregados)
JYSK (retalhista mobília, roupa de quarto e acessórios casa de banho, 34 países, 1.900 lojas, 17.000 empregados)
Lego (quem não brincou com ele? Mais de 9.000 empregados)
LM Glasfiber (o maior fabricante mundial de pás de aerogeradores de eletricidade)
NKT Holding (cabos, fibra ótica, aspiradores, maquinas, mais de 9.000 empregados)
Nordea Bank AB (serviços financeiros, 19 países, 33.000 empregados)
Novo Nordisk (multinacional farmacêutica, 80 países, 29.000 empregados)
Novozymes (multinacional de biotecnologia, 30 países, 5.400 empregados)
Pharma Nord (multinacional de produtos dietéticos, 45 países)
Ramboll (engenharia, 19 países, 10.000 empregados)
Vestas (líder mundial em turbinas de vento para parques eólicos, 63 países, 20.000 empregados)
Velux (Janelas, 40 países, 20.000 empregados)

Claro que o PIB dinamarquês, por causa destas e de outras bem sucedidas empresas, é dos maiores do mundo, per capita, e assim eles ganham, com iguais qualificações, salários bem mais altos que os portugueses. Têm por isso dinheiro para pagar um bom estado social através dos seus impostos. Ao contrário de nós, os dinamarqueses prezam as suas empresas privadas, as quais têm sempre orgulho em afirmar-se como dinamarquesas. 
Na realidade, não existem países com um importante - e sustentável - estado social, com baixo desemprego, sem empresas fortes e competitivas no setor privado. A questão central da economia portuguesa, é saber como lá chegar. Em linguagem desportiva, temos de apostar nos nossos melhores atletas (nos nossos melhores empreendedores), e ajudá-los a transformarem-se em campeões. Simplesmente.

domingo, 17 de junho de 2012

Tons Branco de Duorum 2011, o meu vinho branco preferido para este ano.


Quando gosto muito de um vinho faço açambarcamento, assumo. Vou à loja ou ao supermercado e compro pelo menos uma dúzia de garrafas. Infelizmente, não sou o único. E já sei que quando me atraso, os bons vinhos desaparecem num instantinho, e eu fico a ver navios.

Este ano, o meu vinho branco preferido é o Tons Branco de Duorum (*). Não me perguntem porquê. Só sei que fresquinho, é frutado, suave, uma maravilha. A minha mulher, que costuma depenicar o vinho às pinguinhas, bebeu dois copos inteiros sempre a elogiar o precioso néctar.

Hoje, infelizmente, não vou ver o jogo de futebol Portugal-Holanda, porque enquanto estiverem todos distraídos em casa, vou ao supermercado, vazio, comprar o meu abastecimento de vinho branco para este ano, o Tons Branco de Duorum. Vou a um supermercado alternativo, porque no primeiro, no Continente, não havia, e no segundo, no Auchan, só existiam 2 garrafas, que comprei. Agora vou ao Pingo Doce. Para juntar o útil ao agradável, está à venda por menos de 4 euros. Dada a sua qualidade, é uma pechincha.

(*) Ver o sítio em Duorum

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Consequências da saída da Grécia do Euro


Saída da Grécia do Euro ?
É o melhor estudo que conheço sobre as consequências da saída da Grécia do Euro. Confidencial, foi elaborado pelo IIF (Instituto da Finança Internacional), associação global das instituições financeiras. O jornal grego de língua inglesa Athen News, conseguiu ter acesso ao texto e publicou-o a 5 de Março deste ano, embora na fonte tenha a data de 18 de Fevereiro. Está disponível em
Trago aqui as principais conclusões:

- Perdas diretas dos credores de dívida grega de 73 mil milhões de euros. Tanto públicos como privados.
- Perdas potenciais do Banco Central Europeu de 177 mil milhões de euros, equivalente à exposição do BCE a essa dívida.
- Necessidade de apoios adicionais a Portugal e à Irlanda, aos seus governos e à banca, por forma a convencer os mercados que estes países estariam a salvo de um incumprimento (no conjunto, possivelmente 380 mil milhões de euros num período de 5 anos).  
- Provável necessidade de apoio substancial a Espanha e à Itália para suster o contágio (possivelmente 350 mil milhões de euros).
-  O BCE sofrerá pressões para aumentar a compra de títulos do tesouro, de estados membros do euro com dificuldades em obter créditos a juros sustentáveis.
- Aumentarão os custos de recapitalização dos bancos, que com facilidade poderão ascender a 160 mil milhões. Os investidores privados dificilmente estarão na disposição de o fazer por si, deixando aos governos a escolha de o fazer ou deixar os bancos alcançar os rácios pretendidos, através de uma ainda maior desalavancagem.
- Haverá perda de impostos sobre rendimentos, devido a menor crescimento da zona euro e ao aumento do pagamento de juros, devido ao aumento da dívida provocada por maiores montantes de empréstimos.

Será muito difícil avaliar todas as implicações de uma queda do crescimento na zona euro e juntar todos os custos envolvidos, contudo será improvável que o montante das perdas totais de uma saída da Grécia da zona euro, possa ser menor que um bilião de euros, para o conjunto dos credores públicos e privados.  

Desde 18 de Fevereiro, data deste estudo, até agora, muitas coisas aconteceram: a subida dos juros dos títulos espanhóis e italianos; a incapacidade dos gregos após eleições, em formarem governo e a marcação de novas eleições; as eleições francesas com a derrota de Sarkozy e a vitória de Hollande; o resgate da Espanha; a proposta de uma União Orçamental para a zona euro, atualmente em discussão e, finalmente, a ameaça das agências de notação em baixar generalizadamente o "rating" dos países e da banca da zona euro, caso a Grécia saia  desse conturbado clube. Nada disto me faz acreditar que o relatório do IIF possa pecar por excesso de pessimismo.
O artigo dos economistas Niall Ferguson e Nouriel Roubini no Financial Times, no passado dia 8 de Junho, vai no sentido das preocupações do IIF, alertando para a necessidade de encontrar soluções para “a recapitalização dos bancos, o seguro dos depósitos e a mutualização da dívida”, e é fundamental ser lido. Segundo os autores estas medidas “não são uma opção, são essenciais para evitar uma desintegração irreversível da união monetária europeia”(*). Niall Ferguson, primeiro autor do artigo, não é, creiam-me, nem um bocadinho keynesiano.

Paul Krugman vaticinou que seria inevitável uma saída da Grécia da zona euro. Ninguém o deseja na Europa, mas vejo o cenário como muito provável caso a extrema-esquerda vença as eleições na Grécia, porque não será possível emprestar mais dinheiro para manter a Grécia no euro, se o seu governo eleito recusar um sério programa de austeridade, incluindo privatizações. Assim, a torneira dos fundos comunitários seria fechada e a Grécia entraria em incumprimento.
As consequências da saída do euro para o povo grego começarão pelo dinheiro retido nos bancos, pela falta de bens importados, como combustíveis, medicamentos e bens alimentares, racionamentos, falência rápida e em série de inúmeras empresas. Depois, fica uma dúvida: resistirá o sistema democrático ao drama social dos gregos? Coisa não muito diferente ocorreria em Portugal, em idênticas circunstâncias.


(*) No original: "bank recapitalisation, European deposit insurance and debt mutualisation are not optional; they are essential to avoid an irreversible disintegration of Europe's monetary union"

domingo, 10 de junho de 2012

Bons e maus economistas: um texto de Frederico Bastiat (1801-1850).



Frederico Bastiat
Nestes momentos difíceis em que o país tem de pagar as suas dívidas e viver condicionado às ajudas e exigências dos credores, uma fonte de inspiração são os textos de Federico Bastiat, um economista francês do século XIX, de lógica simples e impecável. Recomendo por isso a todos os economistas como obrigatória, a leitura dos seus Ensaios, dos quais transcrevo um pequeno texto:

Na esfera económica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los.

Entre um bom e um mau economista existe uma diferença: um fica-se pelo efeito que se vê; o outro leva em conta tanto o efeito que se vê como aqueles que se devem prever.
E essa diferença é enorme, pois o que acontece quase sempre é que, quando a consequência imediata é favorável, as consequências posteriores são funestas e vice-versa. Daí se conclui que o mau economista, ao perseguir um pequeno benefício no presente, está gerando um grande mal no futuro, já o verdadeiro bom economista, ao perseguir um grande benefício no futuro, corre o risco de provocar um pequeno mal no presente.

De resto, o mesmo acontece no campo da saúde e da moral. Frequentemente, quanto mais doce for o primeiro fruto de um hábito, tanto mais amargos serão os outros. Testemunham isso, por exemplo, o vício, a preguiça, a prodigalidade. Assim, quando um homem é atingido' pelo efeito do que se vê e ainda não aprendeu a discernir os efeitos que não se vêm, ele entrega-se a hábitos maus, não somente por inclinação, mas por uma atitude deliberada.

Isso explica a evolução bem dolorosa da humanidade. A humanidade caracterizava-se, nos seus primórdios, pela presença da ignorância. Logo, estava limitada às consequências imediatas de seus primeiros atos, as únicas que, de início, conseguia vislumbrar. Só com o passar do tempo é que aprendeu a levar em conta as outras consequências. Dois mestres bem diferentes lhe ensinam esta lição: a experiência e a previsão. A experiência atua eficazmente, mas de modo brutal. Mostra-nos todos os efeitos de um ato, fazendo-nos senti-los: por nos queimarmos, aprendemos que o fogo queima. Seria bom se nos fosse possível substituir esse rude mestre por um mais delicado: a previsão.

Bastiat não se fica pelas formulações de caráter geral e propõe-nos a leitura de alguns exemplos concretos, como é o caso da diminuição do contingente militar:

Para uma nação, a segurança é um dos bens maiores. Se, para alcançá-la, for preciso arregimentar cem mil homens e gastar cem milhões de francos, não tenho nada a dizer. É um prazer obtido ao preço de um sacrifício. Que ninguém se engane quanto ao alcance de minha tese. Um parlamentar propõe a dispensa de cem mil homens para aliviar o bolso dos contribuintes em cem milhões de francos. Imaginemos que nos limitássemos a contra-argumentar: "Esses cem mil homens e esses cem milhões são indispensáveis à segurança nacional! É um sacrifício, mas, sem este sacrifício, a França seria dilacerada internamente pelas várias fações políticas ou invadida pelo estrangeiro". Não tenho nada a opor a este argumento, que pode ser falso ou verdadeiro, mas que não contém em si nenhuma heresia económica.

A heresia começa quando se quer apresentar o sacrifício como sendo uma vantagem, já que ele traz proveito para alguém. Ora, ou eu estou enganado, ou o autor da proposta, logo que descer da tribuna, será substituído por um novo orador que se precipitará em dizer:
"Dispensar cem mil homens! Já pensaram nisso? Que vai ser deles? De que vão viver? Será de trabalho? Mas vocês não sabem que está faltando trabalho por toda parte, que todas as profissões e carreiras estão saturadas? Vocês desejam colocá-los na rua para aumentar a concorrência e fazer isso pesar sobre o valor dos salários? No momento em que é tão difícil ganhar a vida, não é bom que o Estado dê o pão a cem mil indivíduos? Considerem, além disso, que o exército consome vinho, roupas, armas; que, desta forma, expande a atividade nas fábricas, nas oficinas, nas cidades onde há quartéis; que é, em última análise, a salvação dos seus inumeráveis fornecedores. Vocês não tremem diante da ideia de acabar com este imenso movimento industrial?"

Esse discurso vê-se logo, defende a manutenção dos cem mil soldados, não pelas necessidades do serviço militar, mas por considerações de ordem económica. São essas considerações que eu desejo refutar.

Cem mil homens, custando aos contribuintes cem milhões, vivem e fazem viver seus fornecedores tanto quanto for possível viver com cem milhões de francos: é o que se vê.
Mas cem milhões saídos do bolso dos contribuintes tiram a possibilidade de esses contribuintes, assim como seus fornecedores, ganharem a vida, na medida do valor desses cem milhões: é o que não se vê. Façam cálculos! Façam contas! E digam-me: onde está o proveito para a maioria?

Da minha parte, digo-lhes onde está a perda. E, para simplificar; em lugar de falar de cem milhões e de cem mil homens, raciocinemos tomando como base um homem e mil francos.
Eis-nos na vilazinha de A. Os recrutadores fazem uma visita e escolhem um homem. O pessoal das finanças faz sua visita e recolhe mil francos. O homem e os mil francos são transportados para a cidade de Metz, onde a soma do dinheiro permite ao homem viver durante um ano, sem produzir nada. Se você só pensar em Metz, aí você tem razão, a medida é bastante vantajosa. Mas se seus olhos se voltam para a vilazinha de A, o leitor pensará diferentemente, pois, a não ser que seja cego, poderá verificar que essa vila perdeu um trabalhador e mil francos, os quais remunerariam seu trabalho e a atividade que, ao gasto de cem mil francos, ele expandiria à sua volta.

À primeira vista, parece haver compensação. O fenómeno que se passaria na vilazinha passa-se  também em Metz. Eis a questão!
E veja onde está a perda: na vila, um homem trabalhava na lavoura e produzia: era um trabalhador; em Metz, ele faz "direitas e esquerdas, volver": é um soldado.
O dinheiro que circula é o mesmo nos dois casos, mas, no primeiro, havia trezentos dias de trabalho produtivo, no outro, há trezentos dias de trabalho improdutivo, sempre na suposição de que uma parte do exército não é indispensável à segurança pública.

Agora, admitamos a dispensa. Vai me dizer que haverá um aumento de cem mil trabalhadores, que a concorrência será estimulada e que a pressão que ela exercerá sobre o índice dos salários será muito grande. É o que você vê.

Mas eis o que você não vê. Você não vê que dar baixa a cem mil soldados não é eliminar cem milhões de francos, mas devolvê-los aos contribuintes. Você não vê que lançar assim cem mil trabalhadores no mercado é injetar nesse mercado cem milhões de francos destinados a pagar o trabalho desse pessoal. Não vê, por conseguinte, que a mesma medida que aumenta a oferta de braços logicamente aumenta também a procura. Donde se conclui que a baixa de salários é ilusória. Não vê que, tanto antes como depois da dispensa, há no país cem milhões de francos correspondentes a cem mil homens, e que toda a diferença consiste no seguinte: antes, o país entregava os cem milhões aos cem mil homens para não fazerem nada; depois, o país dá-lhes esse dinheiro para que trabalhem. E não vê, finalmente, que quando um contribuinte dá seu dinheiro seja a um soldado, em troca de nada, seja a um trabalhador, em troca de alguma coisa, todas as consequências posteriores da circulação desse dinheiro são as mesmas nos dois casos: só que, no segundo caso, o contribuinte recebe alguma coisa e, no primeiro, ele não recebe nada. Resultado: uma perda sem proveito para a nação.

O sofisma que combato aqui não resiste à prova da progressão que é a pedra de toque dos princípios. Se, tudo compensado, todos os interesses examinados, houvesse proveito para a nação em se aumentar o efetivo do exército, por que não alistar toda a população masculina do país?

sábado, 2 de junho de 2012

Histórias infantis de vários autores, selecionadas por Guerra Junqueiro.


Guerra Junqueiro
Do livro Contos para a Infância, de 1877, histórias de várias proveniências selecionadas e narradas por Guerra Junqueiro, decidi trazer a este blogue 9 (nove) contos.
Após o final de cada conto, acrescentei comentários.


1. O ouro

Era uma vez um rei, que, tendo achado no seu reino algumas minas de ouro, empregou a maior parte dos vassalos a extrair o ouro dessas minas; e o resultado foi que as terras ficaram por cultivar, e que houve uma grande fome no país.

Mas a rainha, que era prudente e que amava o povo, mandou fabricar em segredo frangos, pombos, galinhas e outras iguarias, todas de ouro fino; e quando o rei quis jantar mandou-lhe servir essas iguarias de ouro, com que ele ficou todo satisfeito, porque não compreendeu ao princípio qual era o sentido da rainha; mas, vendo que não lhe traziam mais nada de comer, começou a zangar-se. Pediu-lhe então a rainha, que visse bem que o ouro não era alimento, e que seria melhor empregar os seus vassalos em cultivar a terra, que nunca se cansa de produzir, do que trazê-los nas minas à busca do ouro, que não mata a fome nem a sede, e que não tem outro valor além da estimação que lhe é dada pelos homens, estimação que havia de converter-se em desprezo, logo que ouro aparecesse em abundância.
A rainha tinha juízo.

Breves comentários que a história me sugere:
Os países hoje não vivem economicamente isolados. Muitos especializaram-se em certo tipo de indústrias ou de serviços, e tornaram-se inter-dependentes do comércio de bens alimentares. Já não existem países autossuficientes, mas todos se deveriam preocupar com a segurança alimentar.


2. Não quero

Um dia, passando na estrada, ouvi dois rapazitos que falavam muito alto: «Não, dizia um com voz enérgica, não quero.» Parei e perguntei-lhe:
-- O que é que tu não queres, meu rapaz?
-- Não quero dizer à mamã que venho da escola, porque é mentira. Sei que me há de ralhar, mas antes quero que me ralhe do que mentir.
--E tens razão, disse-lhe eu. És um rapaz como se quer.
Apertei-lhe a mão, enquanto que o outro pequeno, que lhe aconselhava que se desculpasse mentindo, ia-se embora todo envergonhado.

Daí a alguns meses, passando pela mesma aldeia e tendo de falar com o professor, entrei na escola, onde reconheci imediatamente os meus dois pequenos; o que não quis mentir, sorria-me, enquanto que o outro, vendo-me, baixou os olhos. Ao despedir-me interroguei o mestre sobre os dois alunos: Oh! disse-me ele, falando do primeiro, é um magnifico estudante, um pouco teimoso, mas honrado, sincero, sempre pronto a confessar as suas faltas e o que é ainda melhor, a repará-las. O outro pelo contrário, é mentiroso, covarde e incorrigível.»
--Não me espanto, disse eu, já tinha tirado o horóscopo destas duas crianças; e contei-lhe o que tinha ouvido.

Breves comentários que a história me sugere:
A formação dos mais novos, na escola e principalmente na família, falha quando valores essenciais como a honra, a verdade, o caráter, a disciplina, a organização, o respeito pelos pais e professores, não são adequadamente desenvolvidos. É uma base, de onde tudo o resto depois pode ser construído. Chamem-me conservador...


3.  Piloto

Piloto era o mais inteligente e o mais afetuoso dos cães, e o infatigável companheiro dos brinquedos das crianças da quinta.

Fazia gosto vê-lo atirar-se ao tanque a agarrar o pau, que João lhe lançava o mais longe que podia; pegava nele, metia-o na boca e trazia-o à margem, com grande alegria do pequerrucho e da sua irmã Joaninha.

Esta brincadeira recomeçava vinte vezes sem cansar nunca a paciência do Piloto. Depois eram corridas, festas, gargalhadas, saltos, até que o assobio do criado da quinta chamava o fiel animal às suas obrigações: partia então como um raio, para escoltar as vacas, que levavam aos pastos, e impedi-las de entrar no lameiro do vizinho.

Quando o hortelão ia vender os legumes ao mercado, era o Piloto o guarda da carroça; e muito atrevido seria quem saltasse à noite a parede da quinta.

Uma vez deu prova duma extraordinária sagacidade; um jornaleiro, que se empregava muitas vezes em levar sacos de trigo da quinta para casa, tentou de noite roubar um saco.

Piloto, que o conhecia, não fez a menor demonstração de hostilidade enquanto o homem seguiu o caminho da quinta, mas, desde que se afastou tomando por outra estrada, o guarda vigilante agarrou-o pela blusa sem o largar.

Era como se dissesse: Onde vais tu com o trigo de meu dono?
O ladrão quis pôr então outra vez o saco donde o tinha tirado; Piloto não consentiu, e teve-o em guarda, sem o morder nem o ferir, até de manhã; o quinteiro foi dar com ele nesta difícil posição, repreendeu-o vivamente, e despediu-o sem divulgar o caso para o não desonrar.

Mas o homem ficou com ódio ao cão, e muito tempo depois, aproveitando a ausência do quinteiro e de seus filhos, chamou o Piloto, que correu para ele sem desconfiança; atou-lhe uma corda ao pescoço e arrastou-o até à margem do ribeiro.

Atou uma grande pedra à outra extremidade da corda e levantando o animal atirou-o à água; mas arrastado ele próprio com o peso e com o esforço, caiu também.

Como não sabia nadar, teria sido despedaçado pela roda do moinho, se o corajoso Piloto, obedecendo ao seu instinto de salvador e desembaraçando-se da pedra mal atada, não tivesse mergulhado duas vezes e trazido para terra o seu mortal inimigo.

Este, que estava quase desmaiado, compreendeu quando voltou a si, que o cão que ele tinha querido afogar, lhe salvara a vida.

Teve vergonha de seu ato miserável; e desde esse dia, violentou-se a si mesmo e combateu as suas más inclinações.

O exemplo do cão corrigiu o homem.

Breves comentários que a história me sugere:
Quem tem um cão, sabe que estes animais são os seus melhores amigos. É a regra geral com raras exceções. Aprendi a gostar de cães desde criança e sempre admirei a sua lealdade e afeto.


4.  Como um camponês aprendeu o "Pai Nosso"

Tinha o coração duro, e não dava esmolas. Foi-se confessar uma vez, e o confessor deu-lhe por penitência rezar sete vezes o “Pai Nosso”.
- Não o sei, e nunca o pude aprender, respondeu o aldeão.
- Pois nesse caso, tornou o confessor, imponho-te por penitência dar a crédito um alqueire de trigo a todas as pessoas que to forem pedir da minha parte.

No dia seguinte de manhã apresentou-se o primeiro pobre.
 - Como te chamas? Perguntou-lhe o camponês.
- “Pai-Nosso-Que-Estais-No-Céu”, respondeu o pobre.
- E o teu apelido?
- “Santificado-Seja-O-Vosso-Nome”.
E o pobre foi-se embora com o seu alqueire de trigo.

Ao outro dia chega segundo pobre.
- Como te chamas?
- “Venha-A-Nós-O-Vosso-Reino.”
- E o teu apelido?
- “Seja-Feita-A-Vossa-Vontade.”
E partiu com o seu alqueire de trigo.

Veio o terceiro pobre.
- Como te chamas?
- “Assim-Na-Terra-Como-No-Céu.”
- E o teu apelido?
- “O-Pão-Nosso-De-Cada-Dia-Nos-Dai-Hoje.”
E levou o seu alqueire.

Veio o quarto pobre.
- Como te chamas?
- “Perdoai-As-Nossas-Ofensas.”
- E o teu apelido?
- “Assim-Como-Nós-Perdoamos-A-Quem-Nos-Tem-Ofendido.”
E levou o seu alqueire.

Veio o quinto e último pobre.
- Como te chamas?
- “E-Não-Nos-Deixeis-Cair-Em-Tentação.”
- E o teu apelido?
- “Mas-Livrai-nos-Do-Mal-Amén.”
E levou também o seu alqueire.

Pouco tempo depois o confessor encontrou o aldeão:
- Então já sabes o "Pai Nosso"?
- Não, senhor cura, sei só os nomes e apelidos dos pobres a quem emprestei o meu trigo.
- Quem são? Perguntou o padre.
E o aldeão enumerou-lhos a seguir, e pela ordem porque cada um se tinha apresentado.
- Já vês, disse o confessor, que não era muito difícil aprender o "Pai Nosso", porque já o sabes perfeitamente.

Breves comentários que a história me sugere:
O que me encanta nesta história, não é tanto a parte religiosa, é a habilidade do padre em ensinar o “Pai Nosso” ao aldeão, que se julgava incapaz de o decorar. Desde há muitas gerações, mesmo os que não sabiam ler, aprendiam o “Pai Nosso” e a “Avé Maria”.


5. O talismã

Dois habitantes da mesma cidade exerciam nela a mesma indústria, mas com resultados bem diversos; um enriquecia-se e o outro arruinava-se, o que não era de espantar, porque o primeiro zelava os seus negócios com uma atividade infatigável, enquanto o segundo, entregue inteiramente aos seus prazeres, encarregava os estranhos da direção da sua casa.

«Explica-me, disse um dia este último ao seu colega, qual a razão porque a sorte nos trata de um modo tão diferente? Vendemos as mesmas mercadorias, a minha loja está tão bem situada como a tua, e apesar disso, enquanto tu ganhas, eu não faço senão perder. E não é porque eu seja estroina; não bebo, nem jogo. Já tenho pensado algumas vezes se não terás tu por acaso algum precioso talismã.»

«Efetivamente, respondeu o outro, herdei de meu pai um talismã de uma virtude incomparável. Trago-o ao pescoço, e ando assim com ele todo o dia por toda a casa, do celeiro para a adega, e da adega para o celeiro. E o caso é que tudo me corre perfeitamente.»

«Meu querido colega, empresta-me pelo amor de Deus essa relíquia preciosa de que tanto necessito; podes ter a certeza de que ta restituo.»

«Pois vem buscá-la amanhã de manhã.»

Quando ao outro dia foi procurar o seu generoso concorrente, apresentou-lhe este uma avelã, através da qual tinha passado um fio de seda.

O nosso homem pô-la imediatamente ao pescoço, e começou a correr toda a casa com o talismã. Observou então a completa desordem que por toda a parte ali havia. Na adega faltava-lhe vinho, cerveja e azeite; na cozinha o pão, a carne e os legumes; no celeiro, o milho, o trigo, o feijão; na estribaria, o feno e a aveia, roubados das manjedouras dos cavalos; viu, finalmente, como os seus livros e registos estavam mal escriturados; viu tudo isto, e que era necessário dar-lhe remédio, compreendendo que o dono da casa nunca pode ser substituído por terceira pessoa na direção dos seus negócios.

Passados alguns dias foi entregar ao dono o precioso talismã, agradecendo-lhe duplamente, em primeiro lugar, o seu bom conselho, e em segundo lugar, a maneira delicada como lho tinha dado.

Breves comentários que a história me sugere:
Não se pode gerir um negócio à distância. Quem está convencido que assim o consegue fazer, apesar dos computadores, dos balance scorecards, etc, é um iludido. Como se costuma dizer, “o diabo está nos detalhes”.


6. Os gigantes da montanha e os anões da planície

Era uma vez uma família de gigantes, que viviam num castelo na montanha: um dos gigantes tinha uma filha de seis anos, da altura dum alamo. Era curiosa e andava com vontade de descer à planície a ver o que faziam lá em baixo os homens, que de cima do monte lhe pareciam anões. Um belo dia, em que seu pai o gigante tinha ido à caça e sua mãe estava dormindo, a jovem giganta desatou a correr para um campo, onde os jornaleiros trabalhavam. Parou surpreendida a ver a charrua e os lavradores, coisas inteiramente novas para ela. «Oh! que lindos brinquedos!» exclamou. Abaixou-se e estendeu por terra o avental, que quase que cobriu o campo. Lançou-lhe dentro os homens, os cavalos, a charrua; de dois passos tornou a subir a montanha, e entrou no castelo, onde seu pai estava a jantar.

- Que trazes aí, minha filha? perguntou ele.

- Olhe, disse ela, abrindo o avental, que lindos brinquedos. São os mais bonitos que tenho visto.

E pô-los em cima da mesa, a um e um, os cavalos, a charrua e os trabalhadores, que estavam todos espantados, como formigas a quem tivessem transportado dum formigueiro para um salão. A gigantinha pôs-se a bater as palmas e a rir com uma alegria doida, mas o gigante fez-se sério e franziu o sobrolho. «Fizeste mal, disse-lhe ele. Isso não são brinquedos, mas coisas e pessoas que devem estimar-se e respeitar-se. Mete tudo isso com cuidado no teu avental, e põe-no imediatamente onde o achaste; porque fica sabendo que os gigantes da montanha, morreriam de fome, se os anões da planície deixassem de lavrar a terra e de semear o trigo.

Breves comentários que a história me sugere:
Estes gigantes da montanha fizeram-me lembrar alguns governantes que andaram a brincar com a economia, bloqueando a iniciativa privada e o empreendedorismo, fonte de riqueza de qualquer país.


7. A urna das lágrimas

Era uma vez uma viúva, que tinha uma filhinha muito linda, a quem adorava sobre todas as coisas. Não se separava dela um só momento; mas um dia a pobre pequerrucha começou a sofrer, adoeceu e morreu. A desditosa mãe, que tinha passado as noites e os dias, sem repousar um momento, à cabeceira da filha, julgou endoidecer de mágoa e de saudades. Não comia, não fazia senão chorar e lamentar-se. Uma noite em que estava acabrunhada, chorando no mesmo sitio em que a filha tinha morrido, abriu-se de repente a porta do quarto e viu-a aparecer a ela, a sua querida filha, sorrindo com uma expressão angelica e trazendo nas mãos uma urna, que vinha cheia até às bordas.

- “Oh! minha querida mãe, disse-lhe ela, não chores mais. Olha, o anjo das lágrimas recolheu as tuas nesta urna. Se chorares mais, transbordará, e as tuas lágrimas correrão sobre mim, inquietando-me no túmulo e perturbando a minha felicidade no paraíso.

A pequenina desapareceu, e a mãe não tornou a chorar para a não afligir.

Breves comentários que a história me sugere:
Algum dia acontece-nos que um ente mais querido morre. O drama é maior quando os pais perdem um filho. São coisas que não podemos controlar, mas a vida continua, e todos temos de perceber que devemos ser capazes de ultrapassar essa situação.


8. Boa sentença

Um homem rico, mas avarento, tinha perdido dentro dum alforge uma quantia em oiro bastante avultada. Anunciou que daria cem mil reis de alvíssaras a quem lha trouxesse. Apresentou-se-lhe em casa um honrado camponês levando o alforge. O nosso homem contou o dinheiro, e disse:

- Deviam ser oitocentos mil reis, que foi a quantia que eu perdi; no alforge encontro apenas setecentos; vejo, meu amigo, que recebeste adiantados os cem mil reis de alvíssaras: estamos pagos por conseguinte.»

O bom camponês, que nem por sombras tocara no dinheiro, não podia nem devia contentar-se com semelhantes agradecimentos. Foram ter com o juiz, que, vendo a má fé do avarento, deu a seguinte sentença:

--Um de vós perdeu oitocentos mil reis; o outro encontrou um alforge apenas com setecentos: Resulta daí claramente que o dinheiro que o último encontrou não pode ser o mesmo a que o primeiro se julga com direito. Por consequência tu, meu bom homem, leva o dinheiro que encontraste, e guarda-o até que apareça o indivíduo que perdeu somente setecentos mil réis. E tu, o único conselho que passo a dar-te, é que tenhas paciência até que apareça alguém que tenha achado os teus oitocentos mil réis.

Breves comentários que a história me sugere:
Uma das coisas que mais critico na nossa sociedade, é que devíamos ser sempre implacáveis com os vigaristas, e somos demasiadas vezes tolerantes com os que enganam e mentem, aldrabando o póximo. Chegamos a valorizar mais o “status” social, mesmo quando se enriqueceu à custa de vigarices, do que a honestidade.


9. Carlos Magno e o abade de São Gall

Carlos Magno numa das suas frequentes viagens viu o abade de São Gall, preguiçosamente reclinado sobre almofadas à porta da abadia, fresco, rosado, bem disposto. Carlos Magno adorava os homens enérgicos e ativos, e o abade era indolente. Além disso o imperador tinha mais dum motivo de queixa contra ele.

- Bons dias, senhor abade. Ainda bem que o encontro. Tenho a submeter à sua esclarecida razão três perguntas, às quais terá a bondade de me responder daqui a três meses, contados dia a dia, em sessão solene do nosso conselho imperial. Primeiro que tudo, desejo saber o meu valor em dinheiro; em segundo lugar, quanto tempo levaria a dar a volta ao mundo; em terceiro lugar, que estarei eu pensando no momento em que vossa reverendíssima vier à minha presença, pensamento esse que deve ser um erro. Trate de arranjar resposta satisfatória a tudo, ou deixa de ser abade de São Gall, e tem de abandonar a abadia, montado num burro com a cara voltada para o rabo.

O abade não sabia a que santo se apegar. Mandou a todas as escolas, mas os doutores mais famosos pela sua ciência, não lhe souberam dar resposta. No entanto os dias iam correndo, e a época fatal aproximava-se; já não faltava senão um mês, já não faltavam senão semanas, e afinal só dias. O abade, que noutro tempo era gordo e anafado, estava magro como um esqueleto. Perdera o sono e o apetite. Andava errante nos bosques lamentando a sua desgraça, quando se encontrou com o seu pastor.

- Bons dias senhor abade. Parece que está mais magro! Está doente?
- Estou, meu caro Félix, estou muito doente.
- Oh! Meu rico amigo, eu lhe darei alguma erva que o possa curar.
- Infelizmente não são ervas que eu preciso, mas resposta às minhas três perguntas.
- É então latim?
- Não, não é latim, senão os doutores tinham-me arranjado tudo.
--Visto que não é latim, queira vossa reverendíssima dizer-me o que é: minha mãe era uma pobre de Cristo, mas tinha resposta para tudo.

Quando o abade lhe formulou as três perguntas, o pastor atirou com o barrete ao ar, e disse-lhe:

- Se é apenas isso, eu me encarrego de responder por si, e vossa reverendíssima  pode continuar a engordar; mas para isso é necessário que eu vista o seu hábito.

Quando chegou o dia, o pastor disfarçado com o hábito do abade de São Gall, foi introduzido na sala onde o imperador presidia o conselho imperial.

- Então, senhor abade, parece que está mais magro, deu-lhe muito que pensar a chave do enigma? Vamos lá a ver a primeira pergunta: - Quanto valho eu em dinheiro?

- Senhor, o filho de Deus Nosso Senhor Jesus Cristo foi vendido por trinta dinheiros, sua majestade vale à justa vinte e nove, só um dinheiro menos.

- Bravo, senhor abade, a resposta é hábil, e na realidade não posso deixar de me mostrar satisfeito. Mas vamos à segunda pergunta, não há de ser tão fácil dar a resposta. Vamos lá a ver: quanto tempo levaria eu a dar a volta ao mundo?

- Senhor, se vossa majestade se levantar ao romper do dia e poder seguir constantemente passo a passo o sol no seu giro, bastam-lhe vinte e quatro horas.

- Decididamente, vossa reverendíssima  é um grande finório, e desta vez, confesso-me vencido; mas a terceira, não é dessas a que se responde com suposições. Quem lhe há de dizer o que eu estou pensando, e como me há de provar que este pensamento é um erro? Tem a palavra senhor abade.

--Senhor: vossa magestade imagina que eu sou o abade de São Gall; está enganado, porque eu sou o seu pastor.
- Mas então tu é que deves ser o abade de São Gall, e desde já o ficas sendo.
- Não sei latim, mas, se vossa majestade quer fazer-me um favor, peço-lhe outra coisa.
- Não tens mais que falar.
- Peço a vossa majestade que perdoe ao meu amigo.

Carlos Magno não era homem que faltasse à sua palavra.

Breves comentários que a história me sugere:
É uma charada muito engraçada, brilhantemente resolvida. A figura do abade indolente e depois desesperado, é cómica. A indolência dá quase sempre mau resultado.