sábado, 28 de junho de 2014

Será Portugal um Paraíso na Terra?



A idílica Pavesini Village do anúncio é Aveiro

A pergunta soa absurda para os ouvidos portugueses, mas a imprensa internacional surpreende-nos com as apologias que faz de Portugal como destino turístico para férias de Verão, de Golfe, de Surf e como destino de residência para reformados. Ficamos pasmados quando os leitores do americaníssimo jornal USA Today elegeram este ano, Portugal como destino de preferência. A revista Monocle escolhe Cascais e o Yahoo Finance escolhe o Algarve, como locais de excelência para aposentados. Na realidade são cada dia mais numerosos os que nos visitam e os que aqui fixam residência. Será que sem nos apercebermos, Portugal é um Paraíso na Terra?

As razões da escolha são das mais variadas. É apreciada a nossa maneira de ser, os portugueses são amigáveis e educados e sabem falar inglês. Portugal é um dos países europeus com menor criminalidade, sendo considerado um destino seguro. As vias de comunicação como se sabe, são excelentes e temos bons serviços de Saúde. O clima é agradável, temperaturas amenas sem excesso de calor ou de frio, muitos dias de sol, praias espetaculares, e embora o país seja pequeno apresenta paisagens diversificadas. Outro elogio é a gastronomia, principalmente peixe e mariscos, vinhos, queijos, enchidos e doçaria. O nosso património e a nossa longa história e cultura, em grande parte desconhecidos, também são motivos de interesse. Para um americano ou um alemão de classe média, o custo de vida em Portugal é barato, além disso em Portugal não se cobram as reformas dos pensionistas estrangeiros. Destacam também o baixo custo da habitação, seja para compra seja para aluguer. Descoberta, fascínio e surpresa são outras palavras usadas para descrever Portugal. A mais interessante que li foi a sensação de alguém que descreve um “crack in time”, como se de repente tivesse sido transportado para um tempo mais antigo. Já tive essa sensação várias vezes ao visitar uma vila alentejana, uma aldeia beirã ou transmontana, um mosteiro, um castelo, alguns hotéis, como o Curia Palace, e algumas paisagens citadinas, como nas entradas via sul de Coimbra, Viana do Castelo ou Porto pela Afurada, e as cidades de Évora e Aveiro (ver anúncio acima da marca italiana Pavesi, realizado em Aveiro).

Sem dúvida nenhuma, o turismo português está de parabéns.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O livro digital substituirá o livro em papel




















Eu sei que para os amantes dos livros em papel, como é o meu caso, a frase de título que escolhi, é algo de difícil digestão. A relação que tenho com os meus livros é afetiva, mas o mundo não pára e o futuro não tem contemplações com os saudosismos, remetendo-os para os museus.

O livro digital (ou "ebook") apresenta muitas vantagens decisivas versus o livro em papel. Aqui vai um conjunto de algumas dessas vantagens:

(1) É mais barato e ecológico, visto que o circuito de distribuição do livro digital até ao leitor é reduzido, e a produção da edição em papel não existe; 

(2) Tem uma apresentação alterável conforme as circunstâncias: posso escolher as cores de fundo e das letras, o tipo de letra, o tamanho de letra ou o brilho do ecrã. Assim, posso adaptar a leitura do livro digital às condições de luminosidade e de visibilidade; 

(3) Recebo o livro digital em casa ou em qualquer local, como uma aldeia remota em África, onde tenha acesso à internet. Tenho-o no momento em que o desejo ou necessito. A edição do livro digital não "esgota";

(4) Nas lojas virtuais posso pesquisar livros digitais por categorias temáticas, por autores, por títulos ou por preço com muita facilidade; 

(5) Posso anotá-los ou sublinhá-los, tal como no papel e ainda selecionar e copiar partes do livro. As virtualidades do multimédia permitem também que os livros digitais incluam videos e links de acesso imediato e possibilitam a qualquer pessoa escrever e publicar digitalmente um livro;

(6) O espaço de armazenagem do livro digital em disco ou numa "cloud" é infinitamente menor que o de uma livraria caseira. Posso transportar comigo milhares de livros digitais, facilmente.

Existem também importantes desvantagens do livro digital em relação aos livros em papel: 

(1) É ainda muito limitado o universo de livros digitais em português. Mesmo em inglês ou francês, ainda é muito vasto o universo de livros não digitalizados; 

(2) A minhas queridas livrarias, lojas que amo visitar, e as editoras tradicionais, sofrem com a diminuição das compras de livros em papel. Serão cada vez menos; 

(3) Gosto de deambular ao acaso pelas livrarias, e tenho descoberto assim muitos livros com interesse. Não é fácil fazer isso através das lojas virtuais, embora estas também apresentem os seus destaques, listas de mais vendidos e por vezes, comentários dos leitores. Mas nunca é a mesma coisa que uma livraria, onde podemos pegar no livro e ler um ou dois parágrafos; 

(4) O livro antigo ou alfarrábio, em papel, é uma preciosidade. Há livros antigos digitalizados, alguns muito antigos até, mas não é o mesmo que possuir um livro de alfarrabista. Um livro antigo em papel é uma joia, quando digitalizado, é apenas a imagem da joia; 

(5) Há um valor de transmissão própria do livro em papel. Oferecer um livro pelo aniversário ou pelo Natal, legá-lo a uma biblioteca ou recebê-lo por herança, é algo que neste momento só concebemos fazer com um livro em papel; 

(6) Há um valor de posse do objecto físico que perdemos. A relação com um objeto virtual é pela sua natureza mais distante e efémera. Muitas bibliotecas digitais perder-se-ão simplesmente, nas catacumbas das memórias de anónimos servidores, depois do esquecimento ou do desaparecimento dos seus proprietários. Serão modernos "cemitérios de livros esquecidos" (ver A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón).         

Estou convencido que o livro digital veio para ficar e que irá ocupar o espaço do clássico livro em papel, na cultura e na educação. O livro em papel acabará por ficar como peça sem uso comum, de antiquário, por muito que me custe. Tal como aconteceu com os discos de vinil e já está a acontecer com os CDs, com os DVDs e com jornais e revistas impressos. É uma questão de tempo.

Com o desaparecimento da palavra impressa em papel não acredito que diminua o número de leitores de obras de ficção ou outras, pelo contrário. Acredito que os livros digitais se tornarão mais acessíveis e mais lidos que os livros em papel.